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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 06.11.13

O Relatório da OIT

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um relatório sobre Portugal, cujo título é: «Enfrentar a crise do emprego em Portugal», onde analisa o impacto da crise económica  global no mercado de trabalho em Portugal. Para a OIT, «a política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos  défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação  do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos  salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais,  desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna».  «O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento  do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia,  o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto,  a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos», embora atenuado nos últimos meses, refere  o documento daquela organização. 

Portugal poderá criar 108 mil empregos com a ajuda da Europa té 2015. O efeito combinado das duas opções políticas  – a redução das taxas de juro e o reforço das políticas de mercado de trabalho  – «seria uma diminuição do rácio da dívida pública/PIB de 5,9 pontos percentuais até 2015». Também deveria ser ponderado o aumento do salário mínimo.

De acordo com esta organização, o volume do investimento produtivo em Portugal  foi reduzido em mais de um terço desde 2008, tendo-se verificado grande  parte deste declínio nos dois últimos anos, provocando uma descida nos  ganhos de produtividade. Afirma ainda que Portugal teria vantagens em criar medidas para facilitassem a transição de pequenas para médias empresas. Seria uma forma de «abrir novos mercados de exportação e de beneficiar países emergentes», salienta. Seria vantajoso aproveitar «o dinamismo de outros países de língua portuguesa e a presença de uma ampla diáspora portuguesa em certos países», para atingir este objetivo.

Para a OIT, a «situação crítica» que se vive no país do país espelha uma combinação de fatores  macroeconómicos e de fatores estruturais.  O relatório sugere que as mudanças de políticas que vierem a ser operadas terão de ter em conta a estagnação de longo prazo  com que Portugal já se defrontava antes da crise. Entre 2000 e 2008, a taxa  de desemprego registou uma suave tendência de subida. Os rendimentos médios  reais da população portuguesa estagnaram, ao contrário do sucedido na maioria  dos países da UE", concluiu o relatório. Seria importante que os nossos governantes lessem, com atenção, o relatório e acatassem estas recomendações.

(fonte: JN)