O relatório do FMI
O relatório do FMI sobre a 8ª e 9ª avaliações do Programa de Assistência Económica e Financeira vem confirmar aquilo que todos temíamos, ou seja, que os cortes efetuados nos salários e nas pensões aprovados no Orçamento de Estado (OE) para 2014 vão ter caráter permanente, o que contraria claramente o que tem sido reiteradamente afirmado pela ministra das Finanças — que se tratava de cortes temporários, sem prazo à vista para serem interrompidos —.
Mas o FMI vai mais longe e avisa que Portugal vai ter de implementar mais medidas de austeridade em 2015, e nos anos subsequentes, uma vez que tem que cortar obrigatoriamente 3,4 mil milhões de euros na despesa, para que o país cumpra os compromissos assumidos e consiga alcançar a consolidação orçamental. Garante esta instituiçao que não foi previamente estabelecido um plano B com o governo, caso o Tribunal Constitucional venha a chumbar algumas medidas propostas no OE para 2014. Contudo, se isso se confirmar, caberá ao executivo encontrar medidas alternativas por forma a compensar eventuais desvios.
O relatório aponta igualmente os riscos de Portugal não conseguir voltar aos mercados, em pleno, a partir de junho do próximo ano. Por isso será necessário que a Europa garanta apoio adicional ao país. Ou seja, o FMI sugere subliminarmente que, no pós-troika, Portugal precisará de ser assistido financeiramente, independemente do nome que se adotar chamar: "programa cautelar" ou "segundo resgate".