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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 17.11.13

Novo partido à esquerda

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O eurodeputado independente, Rui Tavares apresentou o novo partido «LIVRE» no teatro São Luiz. O partido que tem como princípios: a liberdade, esquerda, ecologia e Europa pretende reunir pessoas da área de esquerda (PS, PCP e BE), desiludidas com os partidos situados nesse espaço político. Tem como símbolo uma papoila, já conta com um website e está agora a recolher 7500 assinaturas para se legalizar e concorrer nas próximas eleições europeias.

«O lugar que nós achamos que é o mais dinâmico da esquerda é precisamente o que se encontra ao meio da esquerda e é também o que tem tido o maior défice de representação», afirmou Rui Tavares. «Não tendo em quem votar eu recuso-me a fugir para a abstenção, recuso-me a fugir para o voto em branco», sublinhou Rui Tavares. «Em democracia tem de haver sempre soluções de representação, se houvesse neste momento algum partido em que me sentisse confortável, que me representasse, eu neste momento entrava no partido», acrescentou, frisando que «aqueles que não se sentem representados devem fazer por se representar» e usar os seus direitos constitucionais.

O aparecimento de um novo partido à esquerda representa, por um lado, um sério concorrente para os atuais partidos de esquerda com representação parlamentar - PS, BE e PCP - que ameaça disputar uma franja de eleitorado representado por essas forças políticas e, por outro, vem reacender o debate da esquerda dividida e sem opções de mudança. Na verdade a esquerda portuguesa é extremamente conservadora e avessa a qualquer mudança e a novas ideias políticas, o que tem levado muitos portugueses a afastarem-se dela, exceção feita ao PCP que mantém a sua linha dogmática e os seus indefetíveis apoiantes. Este novo partido poderá ser uma boa aposta. Porque agrega os independentes que se situam no espaço político à esquerda do PS e os desiludidos com os partidos do status quo que nas eleições engrossam os números da abstenção.

Tenho apreço por Rui Tavares. Reconheço-lhe qualidades essenciais apreciáveis que, dificilmente se encontra na grande maioria da classe política, apesar de muitas vezes discordar dos seus pontos de vista. Entendo, por isso, que este novo partido pode ser uma lufada de ar fresco que falta à política nacional em geral e à esquerda portuguesa em particular e desejo que tenha sucesso.