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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Qua | 22.08.18

A Aliança de Santana Lopes

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 Pedro Santana Lopes continua a andar por aí. O ex-primeiro-ministro não quer sair da política, mesmo depois de ter sido derrotado internamente por Rui Rio.

 

Santana procura manter-se politicamente à tona de água e desta vez lança para cima da mesa a cartada de um novo partido do centro direita, pondo fim a 40 anos de militância no PSD.

 

Aliança foi o nome escolhido o que nos remete imediatamente para a Aliança Democrática, o partido fundado por Sá Carneiro e Freitas do Amaral nos idos de 79.

 

O novo partido, segundo afirmou Santana Lopes ao semanário Expresso, será «personalista, liberalista e solidário. Europeísta, mas sem dogmas, sem seguir qualquer cartilha e que contesta a receita macroeconómica de Bruxelas».

 

A recolha de assinaturas para a constituição do partido começou esta segunda-feira, online, estando igualmente disponível a declaração de princípios assente no «personalismo, liberalismo e solidariedade». O novo partido já tem símbolo de cor azul e propõe, ainda, a «criação do Senado, com a representação das diferentes regiões do país» com o objetivo de aproximar os eleitos dos eleitores.

 

Santana Lopes não revela para já outros nomes que fazem parte da nova organização, mas adianta que a página do partido será lançada dentro em breve.

 

Mas não se julgue que esta ideia é inovadora. Já em 1996, Santana Lopes teve semelhante ideia: a criação do Partido Social Liberal, que correspondia às suas iniciais. Mais tarde explicaria o facto de não ter passado de um desabafo natural de quem está muito desiludido. «Muitas vezes, quando temos histórias de amor ou relacionamentos de amizade, às vezes zangamo-nos, estamos cansados e podemos ter desabafos», justificou.

 

Santana continua, portanto, igual si próprio.

 

Miguel Sousa Tavares comparou a Aliança à candidatura de Mário Soares às presidenciais de 2006, no sentido de constituir um desastre anunciado que só o próprio não consegue prever. Veremos, pois, o que acontecerá daqui a um ano, sendo certo que um novo partido à direita é uma ameaça sobretudo para o PSD e CDS, mas também para o PS.