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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 11.05.14

A carta de (boas?) intenções

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A Carta de Intenções entregue pelo Governo ao FMI para conseguir a aprovação da 12ª e última avaliação, e na qual assumiu vários compromissos com a instituição, só será divulgada o seu conteúdo em Junho, após a aprovação pelo Conselho Executivo do FMI, já depois da data das eleições europeias.

A carta, assinada pelos membros do Governo e pelo governador do Banco de Portugal, revela quais as políticas que as autoridades portuguesas pretendem aplicar no futuro. Esse conteúdo tem de ser alvo de negociação com a Troika até à sua aprovação final.

O Partido Socialista e a restante oposição defenderam que o Governo devia revelar o que está previsto na carta de intenções antes das eleições para o Parlamento Europeu. O executivo garantiu que não haverá qualquer novidade em relação às medidas que já foram anunciadas para 2015, nomeadamente as mudanças feitas ao nível das pensões e dos salários da função pública. Esta garantia do Governo é feita, todavia, numa altura em que a carta de intenções ainda pode ser sujeita a alterações resultantes de negociações com a Troika para a aprovação final do programa português.

Pacheco Pereira afirma, sem hesitações, que a carta de intenções que o governo vai enviar ao FMI contém detalhes que o governo «não quer revelar». Para o comentador, o governo «ocultou, até ao momento que deixou de poder ocultar, que havia ainda compromissos que não são do conhecimento público». «O governo ocultou, até ao momento que deixou de poder ocultar, que havia ainda compromissos que não são do conhecimento público», assegurou no programa "Quadratura do Círculo", da SIC Notícias.

Para Pacheco Pereira, o executivo não quer revelar o conteúdo da carta para não dar a conhecer os detalhes das medidas que se prepara para implementar no próximo ano. «Os itens que estão no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) são os itens que estão na carta. Mas, o que está na carta são os detalhes das medidas. O que está no DEO é grande parte do que está na carta, com uma grande diferença: o diabo está nos detalhes. O que está na carta é o que o governo não quer revelar», justificou.

É inacreditável que o governo dirija um documento desse tipo ao FMI, sem consultar o principal partido da oposição que também assinou o Programa de Assistência Financeira (lembram-se o que Passos Coelho barafustou quando Sócrates levou o PEC IV a Merkel, sem lhe dar cavaco?)bem como a artimanha de usar a carta como arma da campanha eleitoral para as europeias.