A pesada herança de Jardim
Alberto João Jardim permaneceu quase 40 anos na presidência do Governo Regional da Madeira como líder do PSD/Madeira.
O senhor que se segue é Miguel Albuquerque. O ex-presidente da Câmara do Funchal venceu as eleições por 65% dos votos, depois de derrotar o candidato apoiado por Jardim.
O novo líder do PSD/Madeira quererá distanciar-se do consulado de Alberto João Jardim, dentro da velha tradição do PSD de se renovar das cinzas, contudo a herança é pesada porque deriva dos métodos caciqueiros de exercício do poder na Região e ainda de uma enorme teia de interesses sob a capa de 'obra feita', embora executada sem rigor e sem contexto.
Na verdade, o legado político que Jardim deixa na Madeira não passa de um presente envenenado. O novo líder do PSD regional vai herdar uma dívida superior a 13 milhões de euros, contraída pelo partido e pela Fundação Social Democrata da Madeira, até agora presididas por Alberto João Jardim.
O caso da Madeira não é um caso de sucesso, dado que o aumento da de riqueza na região não ter qualquer correspondência com o aumento brutal da despesa. A Madeira é o pior exemplo do que pode ser uma economia dependente do Estado. O arquipélago não tem empresas competitivas. As regras de mercado pura e simplesmente não funcionam, sendo substituídas por uma teia de influências.
Com estas manobras, Jardim acabou por arrastar a população madeirense para um dramático período de sacrifícios e de insuportável retrocesso económico e social (o desemprego na Madeira é catastrófico) impossíveis de disfarçar, pese embora as truculências verbais e o empolamento de ameaças e a forma autoritária e prepotente como fez o seu caminho político.
Só o tempo dirá que futuro terá o arquipélago. Veremos se Miguel Albuquerque conseguirá mudar a rota e levar o barco a bom porto.
