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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 03.01.15

A questão presidencial no PS

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Ontem a imprensa avançava que o atual alto-comissário da ONU para os refugiados, António Guterres, poderia estar em vias de ver o seu mandato à frente da organização internacional prolongado até Dezembro de 2015, o que, a concretizar-se, poderia inviabilizar uma eventual candidatura a Belém, dado que as presidenciais terão lugar exatamente daqui a um ano.

Porém, hoje, alguns jornais, nomeadamente DN, Público, apresentam outra versão, destacando que Guterres não exclui a possibilidade de substituir Cavaco Silva na Presidência, ainda que também não admita tal hipótese.

Conforme explicou ao Expresso, «é uma simples questão técnica que Nova Iorque está a analisar, dado que excecionalmente eu comecei em junho por causa do problema do meu predecessor e não é claro se devo acabar em junho ou, como é normal, no fim do ano». E acentuou que: «Independentemente da interpretação que vingar, eu sou sempre livre de decidir a minha vida. Tudo isto é, portanto, muita parra e pouca uva».

António Guterres é neste momento apontado pelas sondagens como o favorito dos portugueses para ser o próximo presidente da República. Vence todos os duelos com candidatos à Direita e à Esquerda.

Não tenho dúvidas que Guterres seria um excelente presidente da República. É um homem muitíssimo bem preparado, sabe dialogar e estabelecer pontes como ninguém, ‘tem mundo’, é uma figura mobilizadora e carismática e a sua dimensão moral e solidária fizeram dele um político único em quem não hesitaria em votar, caso se apresentasse a sufrágio.

Porém,  se o antigo primeiro-ministro optar por uma eventual sucessão a Ban Ki-moon como secretário-geral da ONU, será certamente um cargo para o qual também apresenta enormes atributos e que muito dignificará o País. A sua enorme cultura, a sua formação solidária e cívica e todas as qualidades que lhe reconhecemos adaptam-se perfeitamente ao cargo da ONU.

O pior é que o PS e António Costa que ficarão sem o seu candidato presidencial preferido, ainda que outros nomes tenham vindo a público perante a indisponibilidade de Guterres, como Sampaio da Nóvoa ou Jaime Gama.

Jaime Gama não me parece uma figura mobilizadora nem carismática. Apesar de bem preparado intelectualmente, indo o jogo, poderá ser facilmente derrotado pelo populista Marcelo, uma vez que Gama tem um perfil mais distante, mais crispado, com um discurso demasiado elaborado, não me parece, salvo melhor opinião, uma escolha ganhadora.

O ex-reitor da Universidade de Lisboa é outro dos nomes possíveis para uma candidatura presidencial, com apoio dos socialistas, esta poderia ser uma hipótese não despicienda.

Sampaio da Nóvoa já disse estar disponível para avançar com uma candidatura a Belém e para «todos os projetos que contribuam para mudar Portugal». Na opinião deste académico, «Portugal precisa de abrir um caminho novo e um tempo novo. Eu contribuirei na medida das minhas possibilidades, seja para que lugar for. Não quero nada, estou disposto a tudo, no sentido em que não ambiciono cargos»,

Sobre o perfil do futuro Chefe de Estado, Sampaio da Nóvoa acredita que «é preciso ter um Presidente que entre em diálogo com os portugueses, que esteja presente, que comunique diretamente com os portugueses, que os ouça todos os dias».

 Recorde-se que o discurso de Sampaio da Nóvoa foi um dos mais aplaudidos durante a tarde do primeiro dia do congresso do PS «Neste momento tão duro, ninguém tem o direito de ficar em silêncio». Porque «não quero a minha pátria parada à beira de um rio triste» referiu então. 

Acresce que Nóvoa teria, quanto a mim, a vantagem superlativa – a de ser um candidato independente – e, nessa medida, poder ser apoiado por outras forças políticas. 

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