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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 23.09.14

A salsicha educativa

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O primeiro ministro de vez em quando surpreende-nos com expressões algo boçais. Depois de ter utilizado em tempos expressões como: «que se lixem as eleições», «porcaria na ventoinha», agora, na sessão de oficial de início do ano letivo no Conselho Nacional de Educação, brindou-nos com esta pérola«"salsicha educativa», expressão que criou tal sound byte que certamente ficará para a história do novo «eduquês» da era Crato .

«Sabemos melhor do que ninguém que aumentar a chamada salsicha educativa não é a mesma coisa que ter um bom resultado educativo. Foi assim que, no passado, a generalização de novos graus de ensino não corresponderam a um salto qualitativo mais exigente no produto escolar. Temos muitos mais alunos a frequentar o ensino básico e secundário, esperamos poder vir a ter significativamente mais alunos a frequentar o ensino superior, mas é importante que o resultado final corresponda a uma melhoria da qualidade do ensino que é prestado», disse Pedro Passos Coelho criticando o facilitismo e uma série de erros do passado que o primeiro-ministro acha  que o seu governo está a corrigir.

Parece-me uma imagem no mínimo infeliz, comparar o ministério da Educação a uma fábrica de ‘encher salsichas’,  até porque esta metáfora vira-se contra o governo porque lhe assenta na perfeição.

No ministério da Educação de Passos Coelho a abertura dos anos letivos têm sido anualmente marcadas pela agitação e turbulência. A avaliação de professores foi a trapalhada que se conhece. O ministro da Educação permitiu ainda que uma fórmula matemática errada criasse desigualdades e injustiças na colocação de professores. A Ciência e o Ensino Superior que deviam pautar-se pela exigência e pelo rigor têm conseguido na sequência de uma política de cortes cegos e de um desorganização manifesta, excluir alguns dos melhores professores e investigadores das Universidades.

Desta feita, o primeiro ministro ganharia mais em estar calado.

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