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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 13.04.20

A vida pós-covid

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A crise pandémica que atingiu quase todos os países não tem semelhança com nada que a maior parte de nós, pelo menos os que nasceram depois da década de 50, tenha até hoje vivido, e cujas consequências são para já incalculáveis, a começar pela perda de vidas humanas.

 

A economia sofrerá um profundo abalo e a confirmarem-se as previsões de queda do PIB, entre 5 a 10%, o aumento do desemprego vai disparar nos próximos anos e as condições de vida dos portugueses serão muito difíceis.

 

Porém, por incrível que possa parecer, nem tudo o que decorre do Coronavírus é necessariamente mau, há alguns efeitos positivos já visíveis. Exemplo disso é que em tão pouco tempo os níveis de poluição tenham diminuído consideravelmente, devido à redução dos combustíveis gerados pelo tráfego aéreo e automóvel. Curioso é que o planeta que tantos reclamavam que era imperioso salvar, ficou de repente melhor. Não por tenhamos feito algo para o melhorar, mas força de um vírus que nos obrigou a ficar em casa e a poluir menos.


Normalmente aprendemos com os erros. É assim em todas as crises, o mundo que emerge depois, traz normalmente novas oportunidades, só possíveis de alcançar porque nos levam a alterar hábitos e a criar novas rotinas.

 

O isolamento que a maior parte de nós teve de adotar trouxe uma série de desafios inesperados, como o recentrar as atenções na família, saber viver sem ser na vertigem constante, planear a vida em casa e com tempo, fazer todas as refeições em família, e conseguir trabalhar a partir de casa – teletrabalho - fruto das tecnologias colocadas ao nosso dispor.

 

Em concreto, esta adversidade obrigou-nos a interagir melhor com a tecnologia para conseguirmos trabalhar à distância com eficiência. Nunca tanto como agora recorremos a plataformas de videoconferência como o Skype, o Teams ou o Zoom; nunca havíamos aproveitado para fazer desporto em casa com base em plataformas; assistido a missas virtuais; nunca as compras online haviam assumido a preponderância que hoje assumem. Todos estes recursos já estavam disponíveis, apenas necessitávamos do pretexto para os utilizarmos e, por incrível que pareça, estas mudanças foram alcançadas por força de um pandemia que nos obrigou a um recolhimento forçado e à utilização destas ferramentas para podermos continuar a comunicar à distância.

 

Todo este período de confinamento poderá ter sido uma chamada de atenção para que mudemos. Um aviso claro para passarmos a dar mais importância e prioridade ao que é mesmo relevante, marcando de algum modo uma disrupção na forma como muitos de nós encarávamos a casa, a família, o trabalho, os amigos, a saúde, o ensino e outras coisas importantes da nossa vida.

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