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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 15.07.20

Acusação de Ricardo Salgado

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Seis anos depois do caso BES ser tornado público foi deduzida a acusação contra Ricardo Salgado e outros 25 responsáveis pela queda do Grupo Espírito Santo.

 

Em causa nesta investigação do DCIAP está um buraco financeiro superior a onze mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos crimes imputados e dos prejuízos causados.

 

O ex-presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, foi acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal no processo BES/GES, em coautoria com outros 11 arguidos.

 

Ricardo Salgado terá usado quatro empresas para pagar prémios e contrapartidas a dezenas de funcionários e colaboradores do Grupo Espírito Santo, incluindo ele próprio. Os chamados sacos azuis de três empresas, além da conhecida ES Enterprises, terão servido para  fazer transferências ocultas, a fim de que os montantes não fossem detetados pelo Banco de Portugal.

 

A defesa de Ricardo Salgado confirma a acusação, mas os seus advogados reafirmam que Salgado não praticou qualquer crime e que a acusação falsificou a história do Banco Espírito Santo.

 

O que todos sabemos é que há seis anos implodiu um banco centenário que deu origem ao Novo Banco, banco esse que os contribuintes portugueses continuam a financiar, através do Fundo de Resolução.

 

Com a queda do BES, os lesados espalhados pelos vários cantos do mundo, viram desaparecer num ápice as suas poupanças, alguns as poupanças de uma vida. Ainda hoje se fazem ouvir em protestos, ações judiciais e comunicados e o que pretendem é serem compensados de todos os danos sofridos e clamam por justiça.

 

Cabe agora aos tribunais provarem a tese do MP. Já agora seria bom que a justiça atuasse com celeridade, e não se demore mais seis anos para se conhecer a sentença deste caso.