Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 29.04.21

Agressão a repórter de imagem da TVI

img_355x200$2021_04_27_00_15_46_1843113.jpg

Após o jogo entre o Moreirense e o Futebol Clube do Porto que terminou empatado a uma bola, com o árbitro Hugo Miguel a anular, e bem, o golo que daria a vitória aos azuis e brancos já no período de descontos, e o VAR a fazer vista grossa a uma grande penalidade, houve confrontos no relvado que envolveram Sérgio Conceição, o médico, o assessor do FC Porto e alguns jogadores

No parque de estacionamento do recinto desportivo do clube de Moreira de Cónegos um repórter de imagem da TVI foi agredido por um empresário, Pedro Pinho, com fortes ligações ao clube azul e branco, quando filmava em direto o presidente do FC Porto à conversa com alguns jornalistas. Tal agressão configura um crime público, de ofensa à integridade física qualificado, punível até aos quatro anos de prisão.

A GNR abriu um processo de averiguação e a Procuradoria-Geral da República confirmou que já foi instaurado um inquérito às agressões ao repórter da TVI.

O Ministro da Educação avisou tais atos têm que ter consequências. Também a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga e o sindicato de jornalistas repudiaram o sucedido.

Em comunicado, a direção de informação da TVI diz repudiar “veementemente a agressão que o seu repórter de imagem Francisco Ferreira sofreu” depois do jogo entre o Moreirense e o FC Porto, mas por outro lado, tentou colocar 'água na fervura', afirmando pela voz do seu diretor de informação da TVI que Pinto da Costa lhe telefonara a esclarecer que o agressor não tinha nada a ver com o Porto, fora convidado do Moreirense, para assistir ao jogo, ainda que estivesse incluído na comitiva portista. Victor Pinto, outro jornalista da TVI que também estava em reportagem no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, revelou mais tarde que o autor da agressão, mostrou-se "arrependido e que até queria ressarcir a TVI devido aos prejuízos".

Pinto da Costa presenciou tudo, já que ocorreu mesmo à sua frente, perto do autocarro portista. As imagens mostram como Pinto da Costa ficou de mãos nos bolsos enquanto Pedro Pinho agredia o repórter de imagem. Porém, ontem, em entrevista ao Porto Canal, afirmou que não viu nenhuma agressão ao repórter da TVI: “O que vi na altura foi ele a querer tirar a máquina e a tapá-la para não deixar filmar. Não vi nenhuma agressão. Mas qualquer ato de violência, rejeito, censuro e não posso tolerar”, continuou. 

Não me surpreende esta postura do presidente do Porto, lembro-me bem do processo "Apito Dourado" e tudo o que envolveu. O que me deixa verdadeiramente estupefacta é um país e sobretudo as entidades ligadas ao desporto normalizarem e validarem as atitudes marginais de um dirigente como Pinto da Costa há quase quarenta anos.

Recordo as palavras do presidente Frederico Varandas referindo-se a Pinto da Costa: "pode ter um grande sentido de humor, ser uma pessoa acima da média, culturalmente e um currículo com muitas vitórias, mas um bandido será sempre um bandido e no final um bandido será sempre recordado como um bandido. Quando ele se retirar, ou for obrigado a retirar-se, prestará um grande serviço ao futebol português e contribuirá para que o país seja de primeiro Mundo".