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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 16.02.17

Ainda o folhetim da Caixa Geral de Depósitos

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Já ninguém aguenta toda esta polémica em torno da CGD. Este folhetim da CGD que envolve Mário Centeno, Governo, Marcelo, António Domingues, Lobo Xavier e todos os partidos já cheira demasiado a chicana política.

 

É óbvio que o Governo geriu mal todo o processo de nomeação da antiga administração da CGD, assente no pressuposto de que um banco público pode ser gerido como um banco privado. Mas, em contrapartida, António Domingues, ao não perceber o que lhe era exigido enquanto presidente de um banco público, mostrou que não estava à altura do cargo para o qual tinha sido nomeado.

 

O caso já se arrasta há meses, mas há dias ganhou novo fôlego, graças a uns SMS comprometedores. Foram alegadamente mensagens trocadas entre Centeno e Domingues, que António Lobo Xavier levou a Marcelo, e que levaram Centeno a Belém e posteriormente a justificar-se perante os portugueses.

 

António Domingues já tinha deixado uma imagem muito negativa em todo este processo. Ao fazer chegar os SMS, ao Presidente da República, via António Lobo Xavier, piorou ainda mais a sua imagem e a do Conselheiro de Estado (que não devia ter-se prestado a tal papel).

 

O Presidente da República depois de ter dado o seu apoio a Mário Centeno e ao Governo, sentiu-se traído pelo ministro das Finanças, que lhe terá omitido as mensagens telefónicas que enviou a Domingues. Daí o comunicado da Presidência da República, que veio fragilizar ainda mais o ministro das Finanças, e a exigência de que Centeno se justificasse perante os portugueses, não obstante o apoio de Marcelo ao ministro, o que motivou a ira dos partidos da direita.

 

O PSD e o CDS, como habitualmente, continuaram a agitar a lama como se não tivessem, também eles, culpa neste processo (podiam ter resolvido a situação quando comandavam os destinos de Portugal, mas arrumaram o assunto para debaixo do tapete) e veem agora, quais virgens ofendidas, criticar o Governo.

 

São exatamente os mesmos que há tempos conviveram alegremente com as falsidades de Maria Luís Albuquerque no Parlamento que agora exigem a demissão de Mário Centeno e a divulgação das suas mensagens telefónicas. Pelo meio, como é evidente, tentam extrair dividendos políticos, ao mesmo tempo que fragilizam a Caixa Geral de Depósitos, põem em causa a sua recapitalização e ameaçam a estabilidade do sistema financeiro português.

 

Há casos assim em que, infelizmente, ninguém se sai bem na fotografia.