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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 08.09.14

Apuramento para o Euro 2016: Portugal 0 - Albânia 1

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Depois da prestação paupérrima no Mundial 2014, esperava-se que a Seleção Nacional pudesse apagar a má imagem deixada no Brasil, mas Portugal começou da pior maneira a fase de apuramento rumo ao Euro 2016.

A Albânia (a mais fraca do grupo de apuramento e das mais fracas da Europa) entrou disposta a defender o empate a zero, como é habitual nas seleções de segunda e terceira linha, tentando explorar as fragilidades da equipa portuguesa.

Portugal tentou desde o início chegar ao golo, mas fê-lo de forma atabalhoada,  construiu  algumas jogadas de ataque, mas faltou-lhe competência e qualidade na finalização. Na ausência de Ronaldo, Nani e Coentrão foram os mais inconformados. Houve vontade mas faltou qualidade (quando se coloca  Éder a ponta de lança está tudo dito).

Se a primeira parte foi fraca, a segunda foi miserável. A Albânia entrou melhor, acreditando que poderia levar para casa mais do que um ponto, e chegou ao golo aos 52 minutos. A vencer, a equipa balcânica redobrou os níveis de confiança, instalou-se definitivamente na sua pequena área e não deu qualquer hipótese à equipa portuguesa.

Paulo Bento olhou para o banco, mexeu, mas foi ainda mais evidente a falta de qualidade da atual Seleção. Ivan Cavaleiro, entrado ao intervalo, não trouxe nada de positivo, Ricardo Horta, chamado após o golo, pouco mais fez do que um remate à trave, e a última substituição foi a entrada de Miguel Veloso que nada acrescentou.

Da anunciada  renovação apenas a inclusão de André Gomes que jogou no meio campo ao lado de William Carvalho. Por isso, sobre a renovação da equipa, estamos conversados!

O que está a acontecer na Seleção com Paulo Bento é uma réplica do que aconteceu no Sporting. Enquanto Paulo Bento foi visto como um  ‘salvador’ a quem fora entregue uma tarefa  exigente,  acima da sua competência, os resultados foram bons. O apoio dos jogadores, a complacência da imprensa e a empatia com os adeptos trouxeram algum sucesso desportivo. Quando este estado de graça acaba, a coisa muda de figura. Os primeiros dois anos no Sporting e na Seleção não correram mal, o problema veio depois, quando Paulo Bento deixou de trabalhar com as ideias dos seus antecessores e adotou as suas. Querer que ele mude de atitude e  que deixe de pensar pela própria cabeça é o pior que se pode fazer a alguém que tem o pensamento formatado, sobretudo quando acha que aquele é caminho certo, insistindo naquele lote de jogadores e partilhando da ideia que o Mundial foi apenas um acidente de percurso.

Parece-me que não há volta a dar. É altura de mudar, não se afigura  sensato mantê-lo mais tempo, aliás já deveria ter sido após o Mundial do Brasil.