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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 20.02.19

Atuação de Carlos Costa na Caixa

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O atual governador do Banco de Portugal foi administrador não executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre abril de 2004 e setembro de 2006 e tem estado no centro da polémica após uma auditoria à CGD que concluiu que, entre 2000 e 2010, foram aprovados créditos ruinosos para o banco público, como foi o caso do empreendimento de Vale do Lobo.

 

Carlos Costa, em entrevista a José Gomes Ferreira, começou por negar a sua participação na aprovação dos créditos concedidos pela CGD :«não participei na decisão dos 25 grandes créditos que geraram perdas à CGD», para depois confirmar que «só ocasionalmente participava no Conselho Alargado de Crédito» da CGD e que essa participação tinha como finalidade «assegurar o número de administradores necessários» para as reuniões.

 

Quanto ao caso de Vale do Lobo, refere ter participado numa reunião anterior, mas onde apenas se definiram as condições de participação da Caixa. Foi uma «decisão de princípio», afirma, não estando ainda escolhido qualquer candidato à aquisição. «O que estava em causa era saber o que é que a CGD iria fazer, se participava ou não».

 

Carlos Costa pediu escusa nas decisões do regulador sobre a Caixa em novembro. Explicou ontem, na SIC, que tomou essa decisão «em função da perceção exterior e não de qualquer convicção pessoal» e que o fez assim que «uma decisão relacionada com a auditoria chegou ao conselho de administração» do Banco de Portugal.

 

Confrontado com a questão da idoneidade, e por que razão não pedia uma avaliação, afirmou diretamente: «não tenho de me considerar fragilizado por coisas que não cometi, são falsidades que me atribuem. Se alguém tem provas que me ponha em causa, tem toda a possibilidade de percorrer o que está previsto no tratado e exonerar-me».

 

Resumindo: Carlos Costa enquanto administrador da CGD tinha um papel meramente decorativo: recebia como administrador, mas nada decidia; ia aos comités de credito só para haver quórum; participava, mas apenas fazia figura de corpo presente e nunca votou vencido em ata.

 

Depois de tudo isto parece-me que Carlos Costa falhou como administrador da CGD e já demonstrou também que não tem competência para governar o Banco de Portugal, depois de tudo o que aconteceu ao sistema bancário nacional. Devia ser exonerado, sob pena de o Banco de Portugal ver a sua credibilidade ainda mais fragilizada aos olhos da opinião pública.