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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Sab | 24.11.18

Camaradas e Camarados

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Na Convenção do Bloco de Esquerda, o deputado Pedro Filipe Soares numa das suas intervenções dirigiu-se à plateia com a seguinte expressão: “Camaradas e Camarados”. A frase que à primeira vista pareceu tratar-se de uma gaffe e provocou alguns sorrisos, não demorou muito tempo a perceber que não se tratava de um lapsus linguae, tratava-se, isso sim, de um novo léxico civilizacional.


Em artigo publicado no jornal Público de 20 de novembro, Pedro Filipe Soares desfez quaisquer dúvidas, justificando a originalidade da expressão com «o modelo patriarcal e machista de sociedade que modela os idiomas» e daí a necessidade do termo inclusivo.


Achei que o argumento da inclusividade, quando proferido, tinha roçado o ridículo. Mas, a coisa ficaria por aí, não fora a publicação deste texto delirante em que Pedro Filipe Soares tenta justificar-se ao fazer um "ensaio" de teoria linguística - e quiçá de doutrina política. É uma inenarrável trapalhada que não o dignifica nem tão pouco as causas que defende. Neste seu ímpeto de modernidade o Bloco por vezes expõe-se ao ridículo.