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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 27.11.15

Cavaco nunca desilude!

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Cavaco Silva deu ontem posse ao XXI Governo Constitucional. O Presidente da República acabou por empossar o Governo que não queria, garantiu lealdade institucional ao novo primeiro-ministro, mas não cooperação, lembrando-lhe que mantem intactos todos os  poderes que a Constituição lhe confere, exceto a possibilidade de dissolver a Assembleia da República, designadamente o poder de demitir o Governo. Na prática, o Presidente da República anunciou que estará vigilante e à mínima coisa poderá derrubar o governo de António Costa nas semanas que lhe restam de mandato.

António Costa já ia preparado para este tipo de oratória, tão própria de Cavaco e não estremeceu com o sermão. Sublinhou que o Governo não tem de responder ao Presidente e atribuiu à Assembleia da República maior soberania, porque é ela, afirmou, que tem «a exclusiva competência» para julgar o programa de governação.

Cavaco nunca abdicando da sua pose institucional que aliás sempre o caracterizou, deixou bem claras as mesmas advertências quanto, por exemplo, aos compromissos internacionais na União Europeia. Foi uma das questões que os acordos à esquerda levantaram e que na sua opinião «não foram totalmente dissipadas» e indicou que só deu posse a António Costa por não ter alternativa.

No fundo Cavaco foi igual a ele próprio. Fez um discurso a pensar exclusivamente na sua biografia, para memória futura, para dizer que “eu bem avisei”. Enfim, o habitual.

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