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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Qui | 28.01.21

CDS poderá renascer das cinzas?

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Há um ano que Francisco Rodrigues dos Santos está à frente do CDS e o balanço não poderia ser mais negativo. Na última sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, o CDS-PP consegue apenas 0,8% das intenções de voto. Francisco Rodrigues dos Santos fala em “palhaçada”, deixa críticas ao estudo e ameaça fazer queixa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

Recorde-se que o CDS sofreu um enorme abalo nas últimas eleições legislativas, em outubro de 2019, caindo para os 4,22%. Um resultado que esteve na origem da saída de Assunção Cristas que acabaria por ser substituída por Francisco Rodrigues dos Santos, o qual contou sempre com o apoio das chamadas bases do partido, mas não com o consenso entre os notáveis. De então para cá, o CDS esteve sempre em queda.

A noite das eleições presidenciais do passado domingo parece ter sido a gota de água pela qual a oposição interna esperava. As vozes críticas da sua direção avançam com um pedido de congresso antecipado. Filipe Lobo D’Ávila, vice-presidente do CDS, apresentou a demissão da comissão executiva do partido, juntamente com Raúl Almeida e Isabel Menéres Campos, deixando Francisco Rodrigues dos Santos ainda mais isolado na direção do partido.

Se dúvidas houvesse, o crescimento do Chega e da Iniciativa Liberal nas presidenciais foram a prova evidente do desaparecimento da Instituição fundada por Freitas do Amaral e Amaro da Costa que contou com dirigentes carismáticos como Francisco Lucas Pires e Paulo Portas.

Apesar disso e sem ter apresentado candidato próprio, o presidente do CDS foi o primeiro a reclamar a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa para si, como se de alguma forma tivesse contribuído para ela. Numa declaração patética na sede nacional do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos considerou que "todos os objetivos do CDS para estas eleições presidenciais foram conseguidos", salientando que isso é um "motivo de satisfação" e dá ao partido "razões para sorrir". "O CDS quis uma vitória à primeira volta do seu candidato, e conseguimos; o CDS quis somar os votos à direita e não quis dividi-la, e também conseguimos; o CDS quis uma vitória da direita social e também conseguimos", especificou.

Aliás, essa parece ser uma das suas especialidades: transformar fracassos em vitórias. Aquando das eleições dos Açores, o líder do CDS-PP fez também uma leitura nacional dos resultados, onde conseguiu três deputados em listas próprias (menos um do que há quatro anos) e outro em coligação com o PPM, salientando que o partido cresceu “em votos e em percentagem desde as últimas legislativas”, quer no total nacional, quer contabilizando apenas o círculo dos Açores. “O CDS teve mais votos do que PCP e BE juntos”, celebrou, numa declaração em que esteve lado a lado e foi aplaudido por vários dos atuais dirigentes do partido.

Não admira que se tenha apressado a reunir com Rui Rio com vista a um possível entendimento para as autárquicas. Assim, todos os ganhos do PSD poderão ser festejados pelo CDS no dia das eleições. Percebo a vantagem de Chicão, não percebo de todo a de Rui Rio em coligar-se com um partido que vale 0,8%.

O antigo deputado do CDS/PP, Adolfo Mesquita Nunes, parece estar disponível para disputar a liderança do CDS com Francisco Rodrigues dos Santos, considerando que o partido está numa luta pela sobrevivência e que a atual direção não será capaz de inverter o caminho da irrelevância política e que "daqui a um ano será tarde demais".

Será que o CDS ainda vai a tempo de renascer das cinzas?

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