Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 16.01.14

Chefe de Gabinete do MAI pede demissao do Governo

narrativadiaria

O Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa, Luís Cunha Ribeiro, contratou os serviços da empresa POP Saúde do médico Miguel Oliveira, velho conhecido de quando ambos trabalhavam no INEM,  para reorganizar a ARS de Lisboa com um contrato no valor de 74 mil euros. Na sequência desta  contratação, a chefe do gabinete do ministro da Administração Interna, Rita Abreu Lima,  que por sua vez é sócia daquela empresa e mulher de Miguel Oliveira, pediu a demissão a Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, de quem era Chefe de Gabinete, quando o assunto veio a público.

A contratação desta empresa com a ARS Lisboa foi criada há dias com recurso ao procedimento por  ajuste direto. O acordo decorreu com grande rapidez, com o procedimento a ser autorizado no dia 2 de Janeiro, o contrato formalizado a 10 do mesmo mês e Miguel Oliveira a dar início às suas funções no dia 14 de Janeiro. Luís Cunha Ribeiro justificou a escolha do ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Miguel Oliveira por ser a pessoa indicada para o cargo, dado que possui formação nas áreas de saúde, gestão e economia, «imprescindíveis para uma perspetiva de gestão com a componente clínica». No contrato vem redigido que a aquisição deste serviço de consultoria - especializada em medicina de emergência - se destina a «apoiar a reorganização da urgência metropolitana da Grande Lisboa e a reforma hospitalar». É ainda explicitado que o valor de 74 390,40 euros, (valor pouco abaixo do limite máximo previsto para os ajustes diretos), será pago em prestações mensais de 5040 euros.

Mas há mais. Em 2013, a ARS LVT fez um ajuste direto de mais de 62 mil euros à sociedade de advogados Vieira Costa Gomes para «implementação das recomendações» de uma auditoria. E a central de compras do Serviço Nacional de Saúde fez ajustes diretos de mais de 126 mil euros para compra de serviços de consultoria na ARS LVT. Além desse montante, a central de compras gastou ainda 240 mil euros em auditorias para o mesmo organismo.

Na sequência da notícia,  o Bloco de Esquerda reagiu, reclamando ao ministro da Saúde «uma auditoria aos contratos de consultoria subscritos pela administração da ARS LVT nos últimos três anos».