Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 27.01.20

Chicão chegou, viu e venceu

narrativadiaria

Francisco-Santos_CC_WEB.jpg

Francisco Rodrigues dos Santos, ou 'Chicão' como é conhecido, é o novo líder do CDS. Foi eleito em Congresso com 46% do total dos votos, contra 39% da moção apresentada apor João Almeida.

 

Filiou-se na JP em 2007 e no partido em 2011, era Paulo Portas presidente dos centristas. É aí que começa a dar nas vistas pelas suas posições conservadoras, nomeadamente contra o casamento e uniões de pessoas do mesmo sexo; contra a despenalização do aborto e adoção por casais homossexuais, dossiers que não quis trazer para a campanha interna para a liderança.

 

Admirador de Margaret Thatcher, de Ronald Reagan e de Winston Churchill, no dia em que admitiu candidatar-se citou uma frase deste último: «O fracasso não é eterno, o sucesso não é definitivo, o que conta é coragem para continuar».

 

Em 2018, a revista Forbes considerou-o um dos «30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa» na categoria Direito e Política e entrou na lista dos trinta com menos 30 anos, pelo trabalho desenvolvido enquanto líder da JP.

 

Gosta de futebol e é sportinguista. Foi até dezembro vogal da direção do clube, sob a presidência de Frederico Varandas, do qual saiu para se candidatar ao CDS.

 

Promete agora tornar o partido numa «síntese dessa nova direita de Manuel Monteiro, de Paulo Portas, mas também de Lucas Pires, que não está fechada nem centralizada em Lisboa, mas andará pelo país, qual locomotiva em andamento e abrirá zonas de debate com a sociedade, dialogará com os portugueses, em contacto com o país real, olhos nos olhos».

 

«Seremos um partido sexy porque utilizaremos estratégias de comunicação atuais», afirmou o novo líder centrista, na hora de anunciar um novo ciclo. «A minha assembleia será o país, o meu escritório serão as ruas de Portugal», prometeu.

 

«Nós vamos ser o CDS. Nós vamos à luta», desafiou ainda, num crescendo de palavras de ordem que levantaram os delegados e o novo Conselho Nacional.

 

«Estarei empenhado a crescermos no país, para depois aumentarmos os lugares onde nos iremos sentar no parlamento. Porque quando o CDS merece, o povo vota no CDS», afirmou no final de um discurso de pouco mais de 20 minutos.

 

Parafraseando, Anselmo Crespo, «O líder do Chega terá alguns motivos para estar preocupado. A chegada de Francisco Rodrigues dos Santos coloca um novo player em jogo e pode mesmo ter o condão de travar o previsível crescimento eleitoral de André Ventura. Mas será isso suficiente para salvar o CDS e torná-lo, novamente, um partido relevante? Ou servirá para o acantonar ainda mais? Estará o PSD condenado a entender-se com esta "a nova direita", ainda que potencialmente mais radical e populista, se quiser aspirar a voltar ao poder?

 

Será 'Chicão' o bicho-papão ou o líder que o CDS precisa para se salvar da irrelevância? Depois deste congresso e desta eleição, Francisco Rodrigues dos Santos tem quase tudo para provar, exceto uma coisa: não é boa ideia subestimá-lo. Porque os que o fizeram, acabaram todos derrotados.».