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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 27.03.20

Coronavirus e União Europeia

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A pandemia de covid-19 colocou na agenda europeia a questão da mutualização da dívida, havendo cada vez mais vozes a defender a emissão dos ‘coronabonds’, para amortecer o brutal impacto socioeconómico gerado pelo novo coronavírus.


Atualmente, cada país da zona euro emite títulos de dívida nos mercados de obrigações, com garantias nacionais. Os ‘coronabonds’ seriam emitidos em nome da União Europeia, o que significa que seriam emissões de dívida partilhadas pelo conjunto dos Estados-membros, protegendo assim os mais frágeis de especulações de mercado e taxas de juro altíssimas.


No entanto, na reunião do Eurogrupo celebrada na terça-feira, os ministros das Finanças europeus, sem excluírem a eventual mutualização da dívida, privilegiaram a possibilidade de ativar uma linha de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade.


O Conselho Europeu de ontem, convocado para tentar alcançar um consenso entre os Estados-membros sobre a melhor forma de proteger os cidadãos e a economia neste momento de crise pandémica, terminou sem consenso, com muitas divisões entre os chamados países do norte e do sul e um novo encontro agendado para daqui a duas semanas.


António Costa mostrou-se irritado com as declarações de Wopke Hoekstra, ministro das finanças dos Países Baixos, o qual terá afirmado que a comissão europeia deveria investigar países como Espanha, para saber por que razão não têm margem orçamental para lidar com a pandemia.


O primeiro-ministro português não poupou nas palavras e considerou mesmo este discurso “repugnante” no quadro da União Europeia, acrescentando que «não foi a Espanha que importou o vírus. O vírus atinge a todos por igual. Se algum país da UE acha que resolve o problema deixando o vírus à solta nos outros países, não percebeu bem o que é a EU».


«Se a UE quer sobreviver é inaceitável que qualquer responsável político, seja de que país for, possa dar uma resposta dessa natureza perante uma pandemia como aquela que estamos a viver», refere António Costa.


É chocante observar a falta de solidariedade dos países mais fortes com a Itália e a Espanha. Este não foi certamente o espírito que presidiu à criação de uma União Europeia. de que nos serve fazer parte dela quando se mostra tão pouco solidária numa tragédia desta dimensão?