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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 28.04.20

Desconfinamento

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Um dos impactos negativos desta pandemia é o facto de as pessoas necessitarem de estar confinadas em casa, sem previsão de quando poderão regressar à sua vida normal.


O caso português tem sido apontado como um caso de sucesso pela imprensa internacional, de um milagre na opinião do Presidente da República, devido ao número contido de óbitos e de casos de internamento. Nos primeiros 25 dias de transmissão local, Portugal foi mesmo um dos países que mais achatou a curva e estabilizou o aumento de número de infeções.


Aparentemente o país está a responder bem a esta crise, mas os dados disponíveis não permitem concluir de que a pandemia está em vias de ser ultrapassada, até porque a evolução da Covid-19 em cada país mantém-se uma incógnita, por depender de demasiados fatores comportamentais e sociopolíticos adotados para a mitigação da propagação.


A desaceleração de casos nos últimos dias tem levado mais pessoas a sair de casa e a sonhar com um regresso à normalidade. Mas é importante mentalizarmo-nos de que sair do estado de emergência e do desconfinamento não significa voltar à normalidade.

 

Provavelmente só daqui a um ano, no verão de 2021, haverá uma vacina para combater o vírus, pelo que, até lá, será necessário continuar a cumprir as regras de distanciamento social e de higiene e manter algumas restrições, até porque a hipótese de haver uma segunda vaga, também não poderá ser descartada, pois apenas a vacinação ou a imunização de pelo menos 60% da população através de infeção natural poderia eventualmente travá-la.


Porque a economia terá que funcionar e não podemos ficar confinados até finalmente termos uma vacina, o Governo, em articulação com o Presidente da República, tem estado a estudar as melhores formas de Portugal retomar a atividade económica. Muitas das medidas serão faseadas, pautadas pela precaução necessária, para evitar um segundo surto. Com o estado de emergência a terminar no próximo sábado, o executivo pondera decretar o estado de calamidade. Esta decisão reforça os poderes do Primeiro-Ministo, não tem de passar pelo Presidente da República nem pelo Parlamento e será menos restritiva do que a atual.


Esta semana ficaremos a conhercer o calendário do desconfinamento que o Governo pretende por em prática, sabendo-se de antemão que a retoma deverá ser progressiva, setor a setor, evitando a aglomeração de pessoas, com uma gestão muito criteriosa dos transportes públicos, através do desfasamento de horários de trabalho, para que possamos conviver de um modo seguro com o vírus, sendo certo que os que o risco de contaminação vai aumentar, porque se reduz o nível de proteção.


Até chegar um antídoto eficaz que nos permita retomar a normalidade efetiva, teremos que manter a sociedade e a economia a funcionar, e, simultaneamente, ter comportamentos necessários e adequados para não pôr em risco a saúde publica. É através deste equilibro de forças que vamos ser obrigados a conviver nos próximos tempos.


Porque esta batalha está longe de estar ganha, por isso é importante não baixar a guarda e continuarmos a combater o vírus com as armas de que dispomos, a cada momento.

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