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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 17.02.14

Duas faces da mesma moeda

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O Diário de Notícias publicou um trabalho sobre a situação financeira da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia sob o título «Gaia em risco de falência com dívida próxima dos 300 milhões», alegando de que este município, era o segundo  mais endividado do país, seguido do da  capital.

O secretário nacional do Partido Socialista, pela voz de António Galamba, acusou o antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia de ser um dos rostos dessa dívida da autarquia. «Verificámos hoje que a Câmara Municipal de Gaia está à beira da falência e tem uma dívida de 300 milhões de euros. Perante o que temos assistido nos últimos dias, sobretudo do Dr. Marco António, percebemos bem porque é que ele tem falado sobre bancarrota e sobre políticas antigas. Porque de facto ele é um dos rostos responsáveis por esta situação e era bom que desse explicações ao país», afirmou o dirigente socialista.

O antigo vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco António Costa, apressou-se a dizer que estava a ser alvo de um «ataque» por parte do PS, recusando-se a tecer quaisquer comentários pela dívida de 300 milhões de euros daquela autarquia, atribuindo tais afirmações ao facto dos socialistas terem tido «uma semana particularmente difícil para o seu líder».

Recorde-se que foi justamente Marco António que a dada altura de uma Comissão Política do PSD, em Fevereiro de 2011, então vice-presidente da Câmara de Gaia, lançou a bomba atómica a Passos Coelho: ou há eleições no país, ou há eleições no PSD. E agora percebe-se. O vice presidente da Câmara de Gaia queria escapar-se, o mais depressa possível,  do buraco de 300 milhões de euros que criou em Gaia, juntamente com o seu amigo Luis Filipe Meneses.

Na altura, a crise entre PS e PSD já passara a barreira PEC IV. A crise já era obviamente política. Todavia, Pedro Passos Coelho podia ter agido como um político responsável e ter recusado a chantagem do seu partido, explicando a Marco António que Portugal deveria estar acima dos partidos. Não o fez. E o resto é história. Houve eleições. Saiu Sócrates, entrou Passos Coelho.

Já passaram 3 anos sobre este episódio. António José Seguro está hoje politicamente tão entalado como estava Pedro Passos Coelho nessa altura e nessa medida são ambos duas faces da mesma moeda.

As sondagens para as europeias não auguram nada de bom para o líder do PS. António José Seguro, por seu lado, não abre o jogo e tenta ganhar tempo. As notícias que referem nomes que poderão vir a integrar as listas do PS às eleições europeias são ainda completamente especulativas, sendo certo que a grandeza da medida da vitória do PS nas eleições terá seguramente implicações internas no partido. 

De acordo com o semanário SOL, os apoiantes de António Costa consideram possível que o atual presidente da Câmara de Lisboa assuma a liderança, caso Seguro não consiga obter um resultado eleitoral expressivo.  Aliás, o próprio Costa já colocou essa fasquia a Seguro: «Não é para mim um cenário credível o PS perder as eleições europeias».

Assim, voltámos à estaca zero: ou o PS consegue mostrar o que vale nas próximas eleições, ou seja que é uma alternativa política credível e não uma simples alternância, numa lógica de mera gestão política, ou mais cedo do que tarde haverá eleições no PS.

Não deixa porém de ser curioso que Seguro seja, nesta momento, uma alternância  que se vá esgotando ainda antes mesmo de ser alternativa.

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