Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 19.01.19

É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma!

narrativadiaria

1264102.jpg

Luís Montenegro, aproveitando as declarações de Ferreira Leite sobre a convenção organizada pelo Movimento Europa e Liberdade (MEL) que reuniu alguns dos maiores críticos da atual direção do partido e em que a antiga ministra considerou preferível o PSD ter «pior resultado» eleitoral do que ficar com um «rótulo de direita», decidiu lançar um repto a Rui Rio, desafiando-o a marcar eleições diretas.

 

O desafio à liderança de Rio era mais do que esperado, Montenegro nunca escondeu o desejo de liderar o partido e não é fácil encontrar outra justificação para a decisão e timing escolhidos que não seja a constituição das listas de deputados à Assembleia da República, até porque, como sabemos, uma vitória do PSD nas legislativas se afigura improvável.

 

Rui Rio rejeitou eleições diretas e anunciou em resposta ao desafio lançado por Montenegro a realização de um Conselho Nacional, acusando o antigo líder parlamentar do PSD de levar a cabo um «golpe palaciano», de se mover por uma «teia de interesses», de «falta de firmeza para travar os instigadores» que «apenas se movem pela tentativa de manutenção dos lugares nas listas do partido», de colocar a «agenda pessoal» à frente dos interesses do partido e do país, e de prestar «um serviço de primeiríssima qualidade» ao PS e a António Costa. O presidente da Mesa do Congresso, Paulo Mota Pinto convocou o Conselho Nacional Extraordinário para quinta-feira, às 17 horas.

 

A reunião dos sociais-democratas foi somando polémicas. A primeira relacionada com o horário, a segunda com a forma de votação da moção de confiança (houve quem defendesse o voto secreto, enquanto outros preferiam a votação através de braço no ar).

 

Polémicas à parte, a moção de confiança de Rui Rio foi aprovada por 126 votos, com 75 votos a favor e 50 contra. Votaram 126 conselheiros, mas houve um voto nulo.

 

Rui Rio sai assim deste conselho nacional com a confiança dos sociais-democratas e com a liderança do partido reforçadas pelos seus apoiantes.

 

Afinal, é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma!