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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 13.08.14

Emídio Rangel, o visionário

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Agosto não está ser um mês fácil no que a desaparecimentos de figuras públicas diz respeito. Depois de Robin Williams, Lauren Bacall, hoje foi a vez de Emídio Rangel nos deixar.

Não será certamente exagerado afirmar que Rangel transformou completamente o panorama da comunicação social em Portugal. Há mais de 20 anos lançou a TSF, rádio livre e independente, que foi uma escola de fornadas de grandes jornalistas e repórteres e que estabeleceu novos padrões absolutamente inéditos de rádio em Portugal.

Em 1990 deixa a TSF por um novo e ainda mais ambicioso desafio, dirigir a primeira televisão privada em Portugal – a SIC -.O que Rangel fez pela informação televisiva, elevando-a ao prime time do debate, da entrevista, dos grandes momentos de discussão com grandes painéis de comentadores, primeiro na SIC generalista, depois e sobretudo quando pensou e criou a fantástica ideia que foi e é a SIC Notícias, é mais do que suficiente para que lhe seja prestado um tributo, o de reconhecer o protagonista, o impulsionador principal da melhor comunicação social que se fez nas últimas décadas em Portugal. Por tudo o que fez Emídio Rangel merece o epíteto de visionário.

Homem de grandes batalhas, controverso, irreverente, dizem que de alguns excessos, mas também de grandes virtudes e uma grande paixão pela comunicação social.

A vida do Emídio Rangel foi isso mesmo - uma vida de constantes batalhas. Perdeu algumas, mas ganhou com distinção e raro talento as mais importantes. É isso que fica. Infelizmente perdeu esta última contra o cancro.

Obrigada, Emídio Rangel!