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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 22.12.20

Entrevista de Marcelo à TVI

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Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista à TVI, enquanto (re)candidato, conduzida por Anselmo Crespo, no âmbito das eleições presidenciais.

Da entrevista destacam-se duas notas fundamentais:

Primeiro, ficou claro que para o Presidente da República(PR) que o titular da pasta da Administração Interna não tem condições para se manter no cargo, depois de serem conhecidos os contornos do caso da morte de Ihor Homeniuk por agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O PR acabou por fazer um paralelo com o pedido de exoneração da antecessora no cargo, Constança Urbano de Sousa, por causa dos incêndios, afirmando perentoriamente: «não conheço o pedido de exoneração nem proposta de exoneração", referindo-se a Eduardo Cabrita.

Depois, considerou que os «portugueses foram enganados» sobre a vacina da gripe que não chegou na quantidade suficiente para a procura, numa clara responsabilização da ministra da Saúde, Marta Temido, no falhanço no que concerne ao plano de vacinação da gripe para 2020.

Do que se pode concluir que, na opinião do PR, existe um ministro que já devia ter sido demitido e uma ministra que não tem margem de erro para falhar: Eduardo Cabrita só continua no cargo porque não tem a coragem de se demitir e porque Primeiro-Ministro teima em não o afastar. Quanto à Ministra da Saúde que enganou os portugueses quanto às vacinas para a gripe, fica um sério aviso de que não pode haver erros com as vacinas contra o Coronavírus.

Depois do que o PR disse sobre o ministro da Administração Interna, a autoridade primeiro-ministro sai fragilizada, já para não falar da inusitada audiência ao Diretor da PSP em Belém.

Dado que Marcelo já não é comentador,  as suas palavras deviam ter consequências.

Por motivos semelhantes, outros ministros colocaram o seu lugar à disposição, a saber Jorge Coelho (2001), devido à queda da Ponte Entre-os-Rios, Constança Urbano de Sousa (em 2017) devido às mortes causadas pelos incêndios ou até mesmo os Secretários de Estado (em 2017) - Jorge Costa Oliveira, Fernando Rocha Andrade e João Vasconcelos - demitidos por causa das viagens e dos bilhetes aquando do Euro 2016.