Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 09.09.15

Frente-a-frente entre Catarina Martins e Paulo Portas

narrativadiaria

485126.png

Comecei a ver ontem o debate entre Catarina Martins e Paulo Portas sem grandes expectativas, porque não simpatizo particularmente com nenhum dos intervenientes. Todavia, Catarina Martins surpreendeu-me de forma muito positiva. Muito serena, com um sorriso irónico, desarmou com subtileza e cortesia Paulo Portas. O líder do CDS, hábil neste tipo de debates, não teve, desta vez, arte e engenho para contrariar o discurso fluente, consistente e claro de Catarina Martins, nem quanto à situação grega, nem quanto à questão do emprego e do desemprego, nem tão pouco sobre o plafonamento da Segurança Social.

Portas ainda tentou colar a líder do BE à situação da Grécia, mas Catarina Martins matou o assunto dizendo que o BE não concorda com o plano de austeridade grego e que certamente ela teria muito menos responsabilidades com a situação vivida na Grácia do que Portas com a situação de Portugal nos últimos quatro anos.

Portas refugiou-se frequentemente no «protetorado», o que foi prontamente desmontado por Catarina Martins. «Protetorado é nós estarmos numas eleições a debater programas e eu estar com alguém que apresenta um programa de uma coligação sem um único número, mas que apresentou números e comprometeu-se com números em Bruxelas, com o PEC para 2015 a 2019, com o documento de estratégia orçamental», afirmou a líder do BE.

Um dos temas que marcou o frente-a-frente foi a discussão sobre as propostas para a Segurança Social, nomeadamente o corte de 600 milhões de euros previsto no Plano de Estabilidade e a proposta da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) de fazer um plafonamento no sistema de pensões. A porta-voz do BE acusou hoje Paulo Portas de não apresentar contas e não explicar nem o corte de 600 milhões de euros nem o plafonamento da Segurança Social, e acusou o líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro de ser «um belíssimo ilusionista político».

A porta-voz do BE acusou Portas de não acautelar o interesse público das privatizações, referindo o Tribunal de Contas e uma resposta dada pelo Conselho de Ministros a uma providência cautelar à concessão da Carris, e o líder centrista contrapôs com um ajuste direto feito pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, a única autarquia que já foi governada pelo BE e que entregou os transportes urbanos à empresa Barraqueiro.

Para quem defende este governo e a austeridade que tem sido imposta aos portugueses, achou a prestação de Portas melhor que de Catarina Martins, como eu pude constatar posteriormente no facebook. Nem pouco mais ou menos. Catarina Martins, com uma postura calma, um ar fresco e um discurso organizado, preparado e coerente banalizou o líder do CDS e, sem dúvida, ganhou o debate.