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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 26.09.19

Greta, a menina que quer mudar o mundo

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Greta Thunberg ficou conhecida em todo mundo por fazer greve às aulas contra as alterações climáticas.

 

Tudo começou quando, no ano passado, Greta anunciou aos professores e colegas que não ia às aulas para protestar contra a inércia dos políticos suecos para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. A promessa é a de que só vai parar quando a Suécia cumprir as medidas estipuladas no Acordo de Paris, firmado em 2015 por 185 países que se comprometeram então a tomar medidas para impedir que a temperatura média global subisse além de 2 graus Celsius.

 

A sensibilização da jovem para este tipo de questões começou em casa, pelos pais, ambos figuras públicas na Suécia. A mãe, Malena Ernman, é uma conhecida cantora de ópera que, por influência da filha, deixou de viajar de avião para o estrangeiro — o que, na prática, a levou a dar menos espetáculos. O pai, Svante Thunberg, ator e escritor, é agora vegan, tal como a filha. Na casa da família, onde vive também a irmã mais nova de Greta, foram instalados painéis solares. As deslocações são feitas por regra de bicicleta e só em situações específicas usam o carro movido a energia elétrica.

 

Mas, como Greta refere, aquilo de que precisamos é mais é de ações. E assim que começarmos a agir, a esperança estará em todo o lado. Por isso, «em vez de procurarem por esperança, procurem por ações», disse Greta, que faltava às aulas todas as sextas-feiras para lutar pelo clima.

 

Ao final de cada semana de trabalho, Greta sentava-se frente ao parlamento, rodeada de vários jovens que ali se juntavam durante algum tempo, empunhando cartazes contra as alterações climáticas. A sua coragem foi noticiada em todo o mundo e muitos apontaram-na como candidata ao Prémio Nobel da Paz. Logo na primeira sexta-feira de protesto, mais de 30 pessoas juntaram-se a Greta Thunberg em frente ao Parlamento sueco. Seguiram-se greves escolares noutras cidades suecas e noutros países, como a Alemanha, a Bélgica e a Inglaterra. Os protestos pelo clima tornaram-se um movimento global com a hashtag #fridaysforfuture, com greves em todos os continentes. Para muitos ativistas a estudante sueca tornou-se uma espécie de ícone.

 

À medida que foi ganhando notoriedade, passou a viajar para outras latitudes, sempre de comboio, já que se recusa a andar de avião por ser mais poluente, sendo recebida por centenas de outros estudantes em greve e também em protesto. Mas uma das viagens que mais marcaram a perceção pública de Greta Thunberg foi a reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, onde durante dias se reúnem os principais líderes e empresários mais importantes do mundo.

 

Depois, atravessou o Atlântico para participar numa cimeira das Nações Unidas, em Nova Iorque, numa pequena embarcação, alimentada por energia elétrica e gerada exclusivamente por fontes renováveis, através de turbinas eólicas e painéis solares, mostrando que há alternativas de transportes não poluentes aos voos comerciais.

 

Num discurso emocionado durante a cimeira, Thunberg criticou os líderes mundiais, acusando-os de inação na defesa do meio ambiente. «Eu não deveria estar aqui», afirmou Thunberg. «Eu deveria estar na escola do outro lado do oceano. No entanto, todos vocês vêm ter connosco, jovens, em busca de esperança. Como se atrevem a fazê-lo?». «Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com as vossas palavras vazias e, mesmo assim, eu estou entre os sortudos. Há pessoas em sofrimento. Há pessoas a morrer, ecossistemas inteiros estão a entrar em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam é sobre dinheiro e contos de fadas do eterno crescimento económico. Como é que se atrevem a fazê-lo?», questionou a ativista.

 

Muitos apontam o dedo a Greta, dizendo que a luta pelas alterações climáticas movida a cabo pela jovem tem por trás  grandes grupos e empresas de combustíveis fósseis.

 

A jovem sueca já se mostrou perplexa pelos ataques de que tem sido alvo, fomentadores de ódio, que recorrem «a todo o tipo de mentiras e teorias de conspiração». Na sua página de Facebook, Greta escreveu que os críticos «parece que atravessam todas as marcas para desviarem as atenções, uma vez que estão desesperados em impedir que se fale da crise climática e ecológica».

 

Não sei quem está por trás de Greta Thunberg e, em boa verdade, isso não me parece muito importante. O que acho é que é preciso que se multipliquem exemplos destes em todo o mundo para que eles possam dizer e fazer aquilo que deve ser feito por um planeta melhor, aquilo que eu e outros não temos coragem, motivação e predisposição para fazer.

 

Por isso, muito obrigada, Greta. Nunca te seremos suficientemente gratos.