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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 02.11.19

Halloween e Pão por Deus

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Nos Estados Unidos, a tradição do Halloween ou Dia das Bruxas, chamado também assim por se acreditar que neste dia os espíritos malignos andam à solta, é muito forte. Foi trazida por imigrantes irlandeses no século XIX. A sua origem remonta há mais de 2.500 anos, ao festival celta de Samhain que assinalava o fim do verão. Nessa noite, na Irlanda, festejava-se o último dia das colheitas e dava-se assim as boas-vindas ao inverno e ao novo ano celta, que coincidia também com o solstício de outono. Esta tradição chega aos Estados Unidos por volta de 1840, com os imigrantes irlandeses exiliados na América.

 

Desde então, a festa é o maior sucesso. Atualmente, a comemoração possui um grande valor comercial e a data é feriado nos Estados Unidos.

 

Além dos Estados Unidos, a festa foi difundida por diversos países do mundo, tendo forte tradição no Canadá e no Reino Unido.

 

É, no entanto, possível observar algumas similitudes entre esta tradição e o «Pão por Deus».

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Como é sabido, o dia 1 de novembro de 1755 foi um dos dias mais negros da História de Portugal com o célebre terramoto. Neste Dia de “Todos os Santos”, a Lisboa pombalina viria a sofrer a maior catástrofe da sua história.

 

Os afetados pela catástrofe, perante uma situação de pobreza extrema, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão: o "Pão-por-Deus", daí a expressão.

 

Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso, «Dia de Todos os Santos», de forma espontânea, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou a solenidade do dia para desencadear por toda a cidade um peditório para minorar a situação de pobreza em que tinham ficado. Esta tradição perpetuou-se no tempo, sendo sempre comemorada neste dia e tendo-se propagado gradualmente a todo o país. Neste dia as crianças acordavam cedo e iam de porta em porta pedir o Pão Por Deus, recebendo em troca: frutos secos, romãs, pão e bolos.

 

Após a década de 80, e nos centros mais urbanos, começou a desvanecer-se esta tradição e os mais novos começaram aos poucos a tentar implementar a tradição norte-americana, do «Dia das Bruxas», sobretudo através da realização de festas temáticas. Alguns falam de aculturação. A verdade é que, ao contrário do que se passa nos restantes países que comemoram anualmente a data e fazem festas para as crianças, em Portugal o Halloween ganhou alguma expressão sobretudo junto dos jovens que saiam à noite, alegadamente a pretexto para uma noitada em véspera de feriado.

 

Por cá esta festividade anglo-saxónica é festejada entre os Portugueses, mais até do que o próprio Carnaval, pelo menos na Capital. A noite de 31 de outubro surge inevitavelmente associada a abóboras, máscaras assustadoras e filmes de terror. As crianças usam fantasias e batem às portas das casas, dizendo a tradicional frase: “doce ou travessura?” (trick or treat, em inglês). A brincadeira consiste em pedir doces, ameaçando cometer uma travessura a quem negar as guloseimas. As fantasias mais escolhidas estão relacionadas ao tema sombrio e macabro. Encontram-se bruxas, esqueletos, vampiros, zumbis, etc. Além das fantasias, as pessoas pintam-se com o objetivo de ficarem com o aspeto mais assustador possível.


As casas também são decoradas e as ornamentações envolvem  tons de preto, laranja e roxo, bem como símbolos alusivos à data.