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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 13.09.14

Haverá ainda alguém que queira votar em Marinho Pinto?

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Uma coisa é certa. Marinho e Pinto nunca escondeu as suas ambições políticas. Percebia-se a léguas, como aqui e aqui referi, que as eleições para o Parlamento Europeu seriam um ‘trampolim’ para o ex-bastonário conseguir outros intentos políticos.

A surpresa na noite das eleições europeias teve apenas a ver com a dimensão eleitoral do resultado. E, aí, justiça lhe seja feita o mérito foi todo dele. O MPT, partido que usou para servir os seus interesses, passou de 0,7% de votos passou para 7,1%, elegendo dois eurodeputados.

O ex-bastonário é, como se sabe, um homem de palavra fácil, discurso estruturado, promessa na ponta da língua e um moralista convicto que persuade até os mais céticos.

Muitas vezes com razão, outras nem tanto, dispara em todas as direções. Vocifera contra a política e os políticos, contra as corporações, contra os privilégios e os interesses instalados, num estilo trauliteiro e truculento, recorrendo por demais à demagogia e ao populismo.

«Só se chega ao poder através do voto, mas não é lícito alcançar o poder com recurso à mentira, ao logro e à fraude política. Isso descredibiliza os órgãos do Estado e a própria Democracia e só se consegue com mais honestidade, mais verdade na vida pública. Queremos trazer mais verdade à política portuguesa», afirmava em campanha eleitoral.

Ora o homem que prometeu lutar pelos interesses portugueses em Bruxelas, e assim seduziu de forma clara e inequívoca os 234 603 eleitores nas últimas eleições europeias, descontentes com os chamados partidos do arco do poder, anunciou agora que vai fazer as malas para regressar a Portugal e formar um novo partido político, atraiçoando politicamente o MPT, partido que o apoiou.

É certo que a lei lhe permite fazer esta escolha, traindo os seus eleitores e o partido. Mas como ele próprio disse no ato solene de apresentação de candidatura, «a ética não está na lei».

Quanto ao rendimento auferido pelo eurodeputado, 18 mil euros/mês, aproximadamente, um valor muito superior relativamente à média salarial em Portugal, e considerado “vergonhoso” nas palavras do próprio, diz agora que não tenciona dele abdicar: «sou pobre, preciso do dinheiro, tenho uma filha no estrangeiro» e «não sou a favor da caridadezinha, tenho os meus gestos de solidariedade mas nunca os divulguei nem nunca o farei».

Na verdade, esta postura política agora assumida faz de Marinho Pinto um indivíduo calculista, sem moral, que recorre à mentira, ao logro e à fraude política para atingir os seus objetivos e que assim «descredibiliza os órgãos do Estado e a própria Democracia».

Nada infelizmente que não estejamos habituados. Marinho e Pinto é só mais um!