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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 24.09.20

Inês de Medeiros e o Bairro Amarelo

 

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A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, está envolvida numa polémica devido às declarações que proferiu numa reunião pública ordinária da Câmara de Almada.

 

Afirmou a autarca: «Almada tem este privilégio de ter bairros sociais em espaços absolutamente maravilhosos, com uma vista invejável. Qualquer bairro social da margem norte tem inveja. Eu própria amanhã ia viver para o Bairro Amarelo».

 

Após as críticas, Inês de Medeiros sublinhou que as suas afirmações sobre o Bairro Amarelo foram descontextualizadas, e que a questão da localização de alguns dos bairros sociais de Almada vinha em resposta à deputada do BE, Joana Mortágua, que dizia: «ansiamos por projetos virados para as pessoas e que sejam também em pontos bonitos, que não sejam guetos».

 

«Bem sei que, com o aproximar das eleições autárquicas, a tentação para descontextualizar sistematicamente afirmações que são respostas a perguntas ou interpelações concretas, é grande, e a partir de aí tirar conclusões que em nada correspondem ao sentido inicial das palavras», afirmou Inês de Medeiros, numa publicação na sua página do Facebook.

 

Mais tarde, na SIC Notícias, frisou que as declarações foram retiradas de contexto e criticou a esquerda: «Acho muito estranho que pessoas que se dizem de esquerda achem que não pode haver pessoas como eu ou como você [o jornalista] a viver ao lado de habitação social porque têm uma conceção de habitação social que tem de ser sempre miserabilista e isolada», disse a presidente do município socialista.

 

Pena Inês de Medeiros não se ter lembrado de ir viver para um bairro social em Almada e beneficiar das belas vistas, quando era deputada no Parlamento. Sempre ficava mais barato à Assembleia da República do que pagar-lhe viagens semanais, em primeira classe, para Paris, acrescidas de despesas de deslocação entre o aeroporto e o domicílio. Como tinha residência em Paris, Inês de Medeiros beneficiou ainda de uma ajuda de custo de 69€ por dia. O que o Estado não teria poupado!