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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Qua | 15.05.19

Invasão de Alcochete foi há um ano

 

 

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Há exatamente um ano, a Academia de Alcochete foi invadida por adeptos das claques do sporting munidos de cintos, bastões e tochas. Foram perpetradas agressões à equipa técnica, a alguns jogadores e destruição dos balneários motivada pelo lançamento de tochas. Ainda nesse dia foram detidas 23 pessoas. Treinadores e jogadores ficaram na academia até ao início da noite e depois dirigiram-se, nas suas viaturas, para a esquadra da GNR do Montijo, onde apresentaram queixa e prestaram declarações.

 

O que se passou em Alcochete foram dez minutos de terror que chocaram o país e abalaram profundamente o Sporting que mergulhou na pior crise de sempre, provocando uma revolução na estrutura diretiva, plantel e equipa técnica de futebol.

 

Deste acontecimento resultaram as rescisões de nove jogadores que faziam parte do plantel principal: Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes, Bas Dost, Rodrigo Battaglia, Daniel Podence, Rafael Leão e Rúben Ribeiro. Destes, apenas três renderam dinheiro aos leões: Rui Patrício, que se transferiu para o Wolverhampton, e com quem o Sporting lucrou 18 milhões de euros; William Carvalho que rumou ao Bétis de Sevilha a troco de 20 milhões de euros e Gelson Martins, atualmente ao serviço do Mónaco por empréstimo do Atlético Madrid, com quem o clube de Alvalade chegou recentemente a acordo por 22,5 milhões de euros, incluindo no negócio a transferência de Vietto para o clube de Alvalade.

 

No total, os três ex-jogadores leoninos valeram aos cofres do Sporting 60,5 milhões de euros. Depois, os casos de Bruno Fernandes, Bas Dost e Rodrigo Battaglia, que através de Sousa Cintra (líder da Comissão de Gestão, que tomou conta do clube até às eleições de setembro de 2018) voltaram atrás na sua decisão, regressaram ao clube e assinaram um novo contrato com o Sporting.

 

Por último, os três casos mais ‘complicados: Rafael Leão, Daniel Podence e Rúben Ribeiro, jogadores com os quais o Sporting não conseguiu chegar a um acordo e cujo processo será resolvido nos tribunais.

 

Um ano depois destes infaustos acontecimentos, o Sporting tem novo presidente, já não tem alguns dos jogadores que eram uma referência do clube, teve três treinadores diferentes, ganhou uma taça da liga, consolidou o 3º lugar do campeonato e prepara-se para voltar a jogar a final da Taça de Portugal. Venceu os torneios europeus de futsal e hóquei em patins e poderá, ainda, realizar o maior encaixe financeiro do clube com a venda de Bruno Fernandes.

 

Quando muitos anunciavam o fim do clube, eis que a normalidade regressou a Alvalade. É certo que os danos motivados pelo ataque a Alcochete que Frederico Varandas qualificou como «o maior rombo financeiro e desportivo» da história do clube ainda não foram superados, mas, paulatinamente, as coisas vão-se compondo e a paz parece estar de volta ao Sporting.