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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Sab | 18.01.20

Joacine poderá ser afastata do Livre

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A ligação entre Joacine Katar Moreira e o Livre já viveu melhores dias. O partido reúne-se este fim de semana no primeiro Congresso do partido, depois da eleição para o Parlamento.


Desde a eleição da deputada ao Parlamento, as relações desta com o Livre têm sido pautadas por acusações de parte a parte e a relação parece estar perto do fim.


Recorde-se que tudo começou a ter maior visibilidade com a abstenção num voto no Parlamento sobre a Palestina, à revelia do partido. Seguiram-se a falha do prazo de apresentação de um projeto de lei para alterar a legislação sobre a nacionalidade. Mas a relação há muito que não era pacífica e as falhas de comunicação eram constantes. A gota de água foi quando a deputada recusou os nomes propostos pelo partido para constituir a sua equipa na Assembleia da República e optou por ser ela própria a escolher os elementos com quem queria trabalhar.


Agora, a Assembleia do Livre anunciou que está na hora de decidir se os militantes concordam ou não em retirar a confiança política a Joacine.


Depois da decisão, Joacine poder-se-á tornar uma deputada não-inscrita, podendo, contudo, manter-se na Assembleia da República, mas o Livre ficará sem representação parlamentar.

 

Se Joacine Katar Moreira deixar de ser deputada do Livre e passar a ser deputada não-inscrita perde alguns direitos, entre eles a possibilidade de questionar o primeiro-ministro nos debates quinzenais.


Outra das alterações prende-se com as declarações políticas da deputada que passam de três para duas em casa ano da legislatura. Joacine perde ainda o direito a propor, uma vez por ano, o tema que se discute numa sessão plenária.


Katar Moreira terá ainda de indicar quais as comissões parlamentares que deseja integrar e o presidente da Assembleia da República, depois de ouvida a Conferência de Líderes, nomeia aquela ou aquelas a que a deputada deve pertencer.


No Congresso que está a decorrer, o fundador do Livre, Rui Tavares, pediu que o partido volte «aos seus princípios» e não esteja focado apenas na questão da retirada da confiança à deputada Joacine Katar Moreira.


Rui Tavares apelou ainda à firmeza na defesa dos princípios do Livre. «O Livre prefere ser fiel aos seus princípios do que manter quaisquer cargos políticos», disse durante uma intervenção no Congresso.

 

Já Ricardo Sá Fernandes, do Conselho de Jurisdição, lamentou a «injustiça» praticada contra a deputada Joacine. «Sou do partido do Rui Tavares, do Rafael, do Pedro Mendonça, da Joacine Katar Moreira e só me sinto bem se for deles todos», afirmou, apelando a um consenso.

 

Alvo de toda a polémica, a deputada do Livre reagiu de forma exaltada à proposta de retirada de confiança da assembleia do partido. As declarações da deputada foram feitas durante uma intervenção de pouco mais de 20 minutos, na qual Joacine gritou: «isto é inadmissível, isto é, mentira, tenham vergonha, mentira absoluta!», afirmou no púlpito onde subiu para reagir às considerações contidas na resolução da Assembleia do partido.

 

No final do primeiro dia do Congresso do Livre, ficou adiada a retirada de confiança a Joacine Katar Moreira. Deputada disse ter recebido um «voto de confiança».

 

Pedro Mendonça, um dos sete membros do órgão nacional que se recandidata ao novo Grupo de Contacto,  esclareceu que : «não se tratou aqui de voto de confiança ou voto de desconfiança, voltando um pouco atrás e para que fique claro, nós somos a direção cessante do Livre, solidarizamo-nos em 100% com a decisão da Assembleia cessante que retirava a confiança política a Joacine Katar Moreira». Pedro Mendonça afirmou que «não consegue compreender» a leitura feita pela deputada e reforçou a solidariedade com a decisão da Assembleia.

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