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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Seg | 30.05.16

José Cid e os transmontanos

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Uma entrevista conduzida por Nuno Markl a José Cid no Canal Q há seis anos está a causar enorme polémica nas redes sociais. Em causa estão algumas declarações disparatadas do músico sobre a região de Trás-os-Montes e dos seus habitantes.

 

José Cid entre outras coisas proferiu nessa entrevista: «muitas vezes digo na brincadeira que os transmontanos deviam fazer uma muralha da China em Trás-os-Montes para não deixarem passar alguma música que vem de lá, porque efetivamente é um prejuízo muito grande para a cultura portuguesa». Referindo-se diretamente às gentes locais, afirmou: «Vêm de excursões pessoas que nunca viram o mar, vêm ao Pavilhão Atlântico, pessoas assim medonhas e feias, desdentadas… E isto não é Portugal.». As palavras do músico já valeram inúmeros comentários enfurecidos na página de fãs de José Cid no Facebook, que entretanto foi desativada, e já existe inclusive uma petição que exige um pedido de desculpas por parte do músico ao povo transmontano e que conta já com 1115 assinaturas.

 

Os dislates proferidos pelo cantor provocaram risos ao apresentador Nuno Markl, cuja reação teve também como efeito a raiva e o insulto dos utilizadores do Facebook. O apresentador justificou-se e até ameaçou pôr um ponto final na sua página de Facebook. «É triste perceber que por causa de uma velha entrevista com o José Cid – em que me ri do que ele disse, porque é impossível uma pessoa não se rir com os delírios dele – sou o novo alvo a abater do Facebook, e por parte dos transmontanos, portugueses contra os quais nada tenho, só a favor (…)».

 

Entretanto na sequência de toda esta polémica instalada com a divulgação da entrevista, o concerto de José Cid agendado para 11 de junho em Alfândega da Fé foi cancelado.

 

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias foi o primeiro autarca a reagir publicamente às declarações de José Cid. «Como brigantino e transmontano», expressou «profundo desagrado, repúdio e desilusão pelas lamentáveis declarações». Sustenta, ainda, que «os Transmontanos sempre deram o seu melhor a favor do país, aliás como reza a História, onde grandes personalidades se destacaram em todas as áreas, desde a cultura, à música, à política, ao desporto, entre outras, situação que ainda hoje se mantém». 

 

Jose Cid já reconheceu o erro e emitiu um pedido de desculpas: «Lamento muito, de facto e, se errar é humano, eu errei convosco e muito! Estou muito triste comigo! Um imenso pedido de desculpas a todos os que se possam ter sentido ofendidos com as minhas palavras. Desculpem-me, se assim o puderem.»

 

Que José Cid é um «pateta alegre» já o sabíamos, agora o que causa mais admiração é a entrevista ter passado incólume 6 anos e agora ser alvo de tanta indignação. Das duas uma, ou há seis anos ninguém via o Canal Q ou não havia tanta gente com acesso às redes sociais.

 

Percebo também que os autarcas queiram defender os interesses da sua terra e dos seus munícipes, mas não se afigura muito correto entrar nestes fait-divers que daqui a um mês já ninguém se lembrará.

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