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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 20.08.14

Leituras de Verão (I)

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As férias de Verão são sempre uma boa altura para pôr em dia algumas leituras ou terminar aqueles livros que se vão eternizando na mesa-de-cabeceira devido à agitação da rotina diária.

Venho, por isso, partilhar convosco um livro que já acabei de ler e cujo autor muito aprecio.

O protagonista deste novo romance é Fermín Romero Torres. A história é contada pelo próprio a Daniel Sempere, uma história que se baseia no tempo passado na prisão de Montjuic (o cárcere e a sua fuga). Mas este livro fala sobretudo de amizade, de confiança e de traição. Fala sobre a ditadura, a prepotência e o terror, fala sobre vingança e o perdão, e, claro, sobre o «Prisioneiro do Céu» e o «Cemitério dos Livros Esquecidos».

A ação desenvolve-se com fluidez e o facto de a narrativa alternar entre passado e presente mantém o leitor na expectativa. Algumas personagens já me eram familiares, mas fiquei a conhecê-las melhor através desta obra que nos acrescenta novas personagens que pela sua aura de mistério e obscuridade conferem uma mais-valia ao enredo. A trama é envolvente e os personagens cativantes. É um livro que se lê muito bem e é difícil de largar antes do final.

Este livro faz parte de uma trilogia da série “Cemitério dos Livros Esquecidos” com um núcleo duro de personagens comuns. Cada livro pode ser lido individualmente porque cada um tem um enredo independente, cujos aspetos em comum não impedem uma leitura individual, sem qualquer prejuízo para o seu entendimento pleno da obra. O que acontece é que todos estão interligados ao nível de personagens, desenvolvimento e tema de fundo, o local “Cemitério dos Livros Esquecidos” marca esta série. Há evidentemente aspetos que só se pode apreciar tendo lido os livros anteriores. Existem desenvolvimentos e revelações do enredo de fundo que só fazem sentido para quem leu o que está para trás, todavia o desconhecimento do mesmo não retira magia à escrita nem impede que o leitor se sinta esclarecido no fim de cada livro.