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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 03.09.14

Manuela Moura Guedes

narrativadiaria

 (imagem do google)

Não sou propriamente fã de Manuela Moura Guedes. Não gostava dela como pivô de informação,  da forma como apresentava o Jornal Nacional na TVI. Achava-a pouco isenta. Não gostava do tom agressivo que imprimia às peças jornalísticas que apresentava e que impunha às pessoas que entrevistava(quem não se lembra da célebre entrevista com Marinho Pinto), com demasiados juízos de valor, carregados de sarcasmo e ironia, sempre com o objetivo de denegrir a imagem dos entrevistados e do Governo, factos que, na minha opinião, não devem existir num jornalismo que se pretende que seja o mais objetivo possível,  pelo que achei perfeitamente legítimas as críticas manifestadas na altura por José Sócrates e pelo PS.

Não quero, no entanto, com isto dizer que não considere que Moura Guedes uma das figuras emblemáticas da televisão nacional — que é, para o bem e para o mal. Construiu o seu estilo, muito próprio, muito centrado em si com a frase que a tornou célebre: «Boa noite, o meu nome é Manuela Moura Guedes» como imagem de marca.

Depois de alguns anos fora da televisão, Manuela Moura Guedes regressou há um ano à RTP, para apresentar o concurso «Quem Quer Ser Milionário». Sempre gostei deste concurso. Vejo sempre que posso. É interessante, didático e sempre se aprende alguma coisa. Moura Guedes neste formato surpreendeu-me pela positiva. Parece-me confiante, segura, confortável naquele papel, embora sem o brilhantismo e a mestria de um Carlos Cruz.

Quem se lembra do concurso apresentado por Carlos Cruz perceberá naturalmente a diferença. A forma única como ele conduzia o programa, como nos  deixava expectantes,  como jogava com os concorrentes,  confundindo-os, inclinando-os para uma resposta, depois para outra e por fim para outra era simplesmente fascinante. Moura Guedes ainda não o sabe fazer, e talvez nunca venha a saber, mas ainda assim proporciona bons momentos de entretenimento.

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