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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 27.12.16

Marcelo reage à morte de George Michael

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O Presidente da República publicou esta segunda-feira na página oficial da Presidência uma nota onde lamenta a morte de George Michael, a quem classifica como «um compositor versátil e talentoso, com uma carreira de inequívoca qualidade».

 

Uma coisa era ter dito uma ou duas palavras de circunstância, coisa diferente é usar a página oficial da Presidência da República para lamentar a morte do cantor e, neste ponto tenho que concordar com Miguel Sousa Tavares que considerou este procedimento «deslocado e ridículo».

 

Sousa Tavares considera, ainda, que o estilo do Presidente da República «pode um dia voltar-se contra o próprio. A grande diferença entre Marcelo o comentador e Marcelo o Presidente é que antes o ouvíamos uma vez por semana e agora todos os dias. E também não acho que ninguém tenha de ter uma opinião todos os dias, não acho saudável. Acho que é uma hiperatividade que um dia pode ser prejudicial ao Presidente, no dia em que precisar de marcar uma diferença».

 

De facto, Marcelo, certamente fruto da sua agenda sobrecarregada, não parou para refletir que inaugurar padarias, falar sobre o fecho de teatros, emitir opiniões sobre morte de cantores pop, são atribuição que não cabem, nem devem caber, no âmbito das funções do Presidente da República.

 

Marcelo está, quanto a mim, a banalizar a função presidencial e, a continuar assim, corre o risco de cair na situação do seu antecessor, ainda que por razões opostas, ou seja, passar a figura decorativa, o que seria uma pena, porque Marcelo reune todas as condições para exercer o cargo com a dignidade que ele merece.