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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 03.02.21

MÁSCARAS FFP2

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Não se sei se já repararam, mas ultimamente tem-se verificado um aumento notório do uso de máscaras FFP2.

Julgo que isto se explica pela notícia de que a Alemanha e a Áustria proibiram o uso de máscaras artesanais nos espaços públicos. Á luz das novas variantes do SARS-CoV-2, potencialmente mais contagiosas, alguns Estados-membros tornaram obrigatória a utilização de máscaras cirúrgicas ou FFP2 em locais como transportes públicos e lojas, proibindo as máscaras comunitárias, fabricadas de forma artesanal.

Em Portugal, o que se vê por toda a parte são as chamadas máscaras comunitárias, fabricadas pela nossa indústria têxtil, com certificação e com uma capacidade de retenção de cerca de 70%, bem como as máscaras cirúrgicas que retêm cerca de 90% do vírus e que na opinião dos especialistas são ambas seguras. Mas atenção, as FFP2 só podem ser usadas, no máximo, durante 8 horas, sendo que a cirúrgica é aconselhada a sua utilização entre 4 a 6 horas. Ambas não são reutilizáveis. Usá-las sem respeito por estas condições é totalmente ineficaz e perigoso.

As FFP2 (ou NP95 na nomenclatura americana) retêm 95% e devem ser usadas, maioritariamente, pelo pessoal de saúde em contacto próximo com doentes. O seu uso generalizado poderá ter como consequência a escassez de máscaras, acabando por faltar a quem delas verdadeiramente necessite.

A DGS devia ter esclarecido esta situação, mas limitou-se a dizer que aguardava informações do ECDC (Centro Europeu de Controlo de Doenças).

Durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, adiantou que o executivo comunitário abordou a questão com o ECDC, cujos especialistas consideram que os dados científicos disponíveis de momento não apontam para a necessidade de um uso generalizado das máscaras FFP2, aconselhadas para os profissionais de saúde.

Stella Kyriakides, que surgiu na conferência de imprensa na sede da Comissão Europeia precisamente com uma máscara FFP2, “por coincidência”, sublinhou que o importante é “continuar a encorajar todas as pessoas a usarem máscara, a usarem-na corretamente, e a manter o distanciamento social”.

“Mas, para já, o ECDC não apoia o uso de máscara FFP2 pela comunidade” em geral, reforçou.

Assim sendo, também não me parece curial vermos, nos últimos dias, os membros do governo a usarem máscaras FFP2.

Admiram-se de que, depois, toda a gente corra às farmácias a comprá-las?

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