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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 09.02.14

Meia Licenciatura

narrativadiaria
(imagem retirada da net)

No panorama do desemprego que tem assolado o país, os jovens constituem o grupo mais afetado, nomeadamente nos países sob resgate financeiro.

Atualmente, quanto maiores forem as qualificações académicas, menores são as possibilidades de se encontrar emprego, isto porque as empresas nos tempos que correm, quererem pagar cada vez menos, não obstante os diversos governos reiterarem que a mais e melhores habilitações académicas corresponde mais e melhores oportunidades e, consequentemente, mais riqueza para o país.

Contudo, na prática, o que se verifica é precisamente o contrário: quanto mais qualificações menos probabilidades de emprego. Logo, há que formar gente menos qualificada para os colocar no mundo do trabalho, com menores salários, mesmo que a economia não ganhe mais com isso. Mas como o que interessa é que os politécnicos resistam e que as taxas de desemprego “baixem”, aumente-se a bolsa de disponíveis, dispostos a trabalhar a qualquer preço.

Assim, para contornar esta situação, engendraram uns cursos superiores de 2 anos, já para o próximo ano letivo, uma espécie de «meia licenciatura» embora ainda não se tenha conhecimento exato da sua organização, de como se fará a ligação ao ensino superior, como é que serão financiados e como é que conviverão com os cursos de especialização tecnológica. Uma coisa sabe-se, é que os alunos vão pagar propinas e nem é preciso fazer exames de admissão, tão defendidos e acarinhados pelo atual ministro da Educação.

De acordo com a proposta do MEC, os jovens com o secundário incompleto, podem vir a completá-lo simultaneamente com a frequência da "meia licenciatura". Aceder, sem exame de candidatura, a um curso superior, é sempre social e politicamente eficaz, uma vez que, por um lado ajuda a elevar os níveis de qualificação e aproximar das metas europeias e, por outro, ajuda a reduzir o desemprego nesta faixa etária da população, satisfazendo o objetivo das empresas e as suas necessidades de mão-de-obra qualificada, pois «o número de alunos a admitir vai depender das carências identificadas por cada região em parceria com as empresas da zona, que terão o papel crucial de dizerem as necessidades de formação e de acolherem os jovens a fazer estágio», como salientou o Secretário de Estado do Ensino Superior.

As regras dos cursos superiores de curta duração foram aprovadas na quinta-feira em Conselho de Ministros, mas os institutos politécnicos temem que o diploma tenha de ser revisto antes de entrar em vigor, uma vez que existem questões “criticas”.

Interessante é verificar que o mesmo ministério da Educação que decide desinvestir no ensino superior, politécnico e universitário (atente-se na atual discussão em torno do corte de 30 milhões de euros às universidades e das posições defendidas pelo ministro Crato relativamente a esta matéria) consegue agora encontrar disponibilizar verbas para financiar estas «novas oportunidades».

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