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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 12.03.14

Morreu D. José Policarpo

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Faleceu D. José Policarpo hoje aos 78 anos. Foi Cardeal Patriarca de Lisboa durante 15 anos. Natural da pequena aldeia do Pego, na freguesia de Alvorninha, concelho das Caldas da Rainha, José da Cruz Policarpo cresceu no seio de uma família cristã muito piedosa e acabaria por entrar para o seminário de Santarém.

Formou-se em Filosofia e Teologia, no seminário maior do Cristo-Rei, dos Olivais, e passou por Roma e pela Pontifícia Universidade Gregoriana, antes de regressar a Portugal, para ocupar vários cargos na Universidade Católica, desde docente a diretor da Faculdade de Teologia até reitor da Universidade, tendo deixado o cargo em 1996.

Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa a 26 de Maio de 1978, recebeu a Ordenação Episcopal a 29 de Junho do mesmo ano e, em Março de 1997, tornou-se arcebispo coadjutor do Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a quem sucedeu como Patriarca a 24 de Março de 1998.

Enquanto cardeal participou no conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, e, em 2013, na eleição do Papa Francisco, que tinha sido feito cardeal por João Paulo II no mesmo consistório que D. José Policarpo (a 21 de Janeiro de 2001).

 A vontade de comunicar e de estar perto das pessoas levou-o a aderir às novas tecnologias e, em 2011, foi lançado no Patriarcado um novo portal na Internet, uma oportunidade para debater os novos desafios lançados à Igreja, bem como as adaptações aos novos tempos.

No mesmo ano, D. José Policarpo assinalou os «50 anos de sacerdócio». Foi igualmente nesse ano que o Cardeal Patriarca havia apresentado o seu pedido de resignação ao Papa, por ter atingido o limite de idade (75 anos). Fê-lo oficialmente numa carta dirigida a Bento XVI, porém o Pontífice pediu-lhe que prolongasse o seu ministério. D. José Policarpo acabaria assim por ficar até à resignação do próprio Bento XVI e foi já depois da eleição do Papa Francisco que a sua resignação foi consumada, em Maio de 2013. O Papa nomeou para o cargo de patriarca D. Manuel Clemente, então bispo do Porto.

Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo nunca deixou de ter um olhar crítico para com a sociedade em geral e par com o país em particular. A preocupação com as famílias e a justiça social também foi sempre uma constante. Os problemas que a própria Igreja atravessou nos últimos anos, como os casos de pedofilia, também não lhe foram indiferentes, tendo-se pronunciado sobre o tema com frontalidade.

Durante o seu mandato foram conhecidas as suas posições de discordância relativamente à liberalização do aborto e aprovação do casamento homossexual. Era sportinguista de alma e coração e um fumador inveterado.

Fonte: Radio Renascença