Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 25.01.16

No rescaldo das Presidenciais

19208858_1bZej.jpg

Marcelo Rebelo de Sousa com uma vitória esmagadora e com uma votação muito superior à da PAF, ganhou em todos os distritos do país e será o próximo Presidente da República.

Ainda assim, Sampaio da Nóvoa surpreendeu e alcançou o segundo lugar com 22,78% dos votos – mais de um milhão de portugueses votou no ex-reitor. Um resultado que o deixou com larga vantagem, relativamente a Maria de Belém. Nóvoa revelou-se um bom candidato e que no final soube, com dignidade, assumir a derrota. 

Marisa Matias  teve uma boa votação que premeia uma boa campanha. Apoiada pelo Bloco de Esquerda, a candidata conquistou o terceiro lugar na votação: 10,10% dos votos (mais de 468 mil portugueses votaram nela) - o melhor resultado das três eleições para a Presidência da República em que o Bloco de Esquerda apresentou candidato próprio.

Tino de Rans foi a grande surpresa desta noite. Ninguém dava nada por ele, mas a verdade é que com a sua simplicidade conquistou o voto de mais de 151 mil portugueses. O balanço final dá a Tino de Rans o sexto lugar com 3,31% dos votos – deixa para trás Paulo de Morais (2,15%), Henrique Neto (0,83%), Jorge Sequeira (0,30%) e Cândido Ferreira (0,23%). Quem diria!

Maria de Belém com 4,24% foi a grande derrotada destas eleições.  O resultado foi muito pior do quese imaginava. A ex-ministra da Saúde foi uma das grandes deceções da noite. Não só ficou longe de Sampaio da Nóvoa, como teve menos de metade dos votos de Marisa Matias e como não atingiu a fasquia do 5% será a candidata a ter de suportar por inteiro a sua campanha, porque o Estado não lhe paga a subvenção pública devida. Nas primeiras sondagens realizadas, Maria de Belém surgia como a segunda candidata com mais intenções de voto. Mas a partir de dezembro começou em queda abrupta que acabou por se materializar no dececionante resultado eleitoral: um quarto lugar – a mais de 272 mil votos do terceiro. A polémica questão das subvenções políticas que surgiu a duas semanas das eleições também não a terá ajudado. A sua candidatura, empurrada pelos históricos da ala segurista, foi no que deu. Sinceramente, penso que não tinha necessidade de se ter prestado a tamanha humilhação.

Edgar Silva também teve um mau resultado. O padre católico não conseguiu convencer o eleitorado comunista. Com 3,95% dos votos conseguidos nas presidenciais fica muito aquém do expectável. O resultado do candidato Edgar Silva é tão fraco que torna o PCP um aliado mais perigoso para o governo socialista. Neste momento os comunistas devem estar a tentar perceber se era o candidato que era fraco ou se já estão a pagar o preço por apoiarem um governo do qual não fazem parte.

Finalmente os números da abstenção. A abstenção ficou assim em 51,16%. O que significa que mais de metade dos eleitores não votou. Só na reeleição de Cavaco Silva a abstenção atingiu um nível mais elevado do que nas Presidenciais deste domingo. Este nível de abstenção é o segundo mais elevado em Presidenciais desde o 25 de Abril. Se forem excluídas as eleições em que os presidentes foram reeleitos (o que não foi o caso), então a abstenção foi a mais elevada de sempre.