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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 24.06.16

O Brexit venceu

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O Brexit ganhou, depois de 51,9% dos britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Na sequência do resultado do referendo britânico, o primeiro-ministro britânico já anunciou a sua demissão. O povo seguiu outra estratégia e precisa de um novo primeiro-ministro para acionar o artigo 50º do tratado de Lisboa, declarou Cameron.

 

A vitória do Brexit vai «exigir, acima de tudo, uma liderança forte, determinada e dedicada», que prepare «uma negociação com a União Europeia». Porém, não vai haver «mudanças imediatas», ou seja, nas próximas semanas, na vida das pessoas, nomeadamente nos imigrantes ou nos turistas, que continuarão a viajar segundo as mesmas regras, tranquilizou o primeiro-ministro britânico.

 

Cameron afirmou que não será ele a encetar esse processo de saída da UE, mas ficará no cargo durante mais três meses até ao congresso do partido conservador. Outubro é o calendário apontado para a saída do poder do homem que decidiu propor o referendo à saída da Europa, para apaziguar um partido conservador cada vez mais eurocético.

 

Boris Johnson, o antigo presidente da Câmara de Londres, é o mais do que provável candidato à substituição de David Cameron na liderança dos Tories, a quem caberá desencadear o processo para a saída da União Europeia, o que poderá levar dois ou três anos.

 

Os mercados já reagiram depois de conhecidos os resultados do referendo britânico. Nos mercados cambiais a libra esterlina caiu para níveis não vistos desde 1985. A dada altura, a moeda britânica chegou mesmo a perder mais de 10% do seu valor para estabilizar em torno dos 8,5%. O setor bancário foi particularmente atingido com o Barclays e RBS a perderem 25% do seu valor.

 

Relativamente ao euro, a libra perdeu cerca de 7%. O euro por sua vez recuou 3,3% face ao dólar, a maior queda desde a criação da moeda única europeia.

 

Na Alemanha, o índice DAX abria a perder cerca de 10%. Em Paris movimento idêntico com um recuo de cerca de 8%.

 

Em Portugal, os juros das Obrigações do Tesouro de Portugal a 10 anos dispararam 32 pontos base para 3,44%. As Obrigações a 10 anos são a medida base para avaliar o risco soberano de Portugal e a subida reflete a reação de um brusco movimento de fuga de ativos de risco, estas Obrigações do Tesouro alcançaram rapidamente esta manhã valores bem próximos de máximos desde há quatro meses, em fevereiro.

 

Os futuros apontam para que vários índices europeus abram a cair mais de 10%, depois das quedas de 8% das bolsas asiáticas. É o futuro da União Europeia no seu todo que está em jogo e os investidores estão a acusar evidente apreensão.