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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 21.01.14

O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa

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O antigo líder social-democrata, Marcelo Rebelo de Sousa, afastou este domingo uma candidatura às presidenciais de 2016, considerando que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, quis excluí-lo de candidato na sua moção de estratégia global.

Sinceramente ao ler o perfil de candidato a Presidente da República  que Passos Coelho quis eliminar na moção estratégica, imediatamente pensei em Marcelo Rebelo de Sousa, como aliás tive ocasião de escrever.

Contudo, o que estranhei, ainda mais, foi ver o próprio Marcelo, no seu comentário semanal da TVI,  identificar-se com esse perfil. Então não é que o professor Marcelo julga  encaixar-se no perfil de «protagonista catalisador de contrapoderes». Admite ser «um catavento de opiniões erráticas» e pensa que a sua imagem é vista como alguém em função da «mediatização gerada em torno do fenómeno político» ou de «popularidade fácil»? Pelos vistos, sim, ao assumir que a imagem traçada por Pedro Passos Coelho é a sua.

Mas não menos assombrosa é a razão apontada pelo Professor e que subjaz à vontade de Passos Coelho em o excluir de candidato às presidenciais . Dizia o comentador que o Primeiro Ministro pensa que pode ganhar as eleições legislativas, pois as coisas estão a correr-lhe bem, e por isso sente-se com força para desde já afastar quem não gosta. Ora, imaginava eu,  que a função de Presidente da República era desempenhada por alguém que se afirmava acima dos partidos, sem renegar obviamente o  apoio destes.

Depois refletindo melhor pensei: Marcelo Rebelo de Sousa ainda nisto há muito. É uma “velha raposa” e “não dá ponto sem nó”. A verdade é que Marcelo Rebelo de Sousa sempre  ambicionou ser Presidente da República. As sondagens, para já, são-lhe favoráveis e colocam-no à frente de todos os outros.  Por isso, não me surpreenderia, que um dia destes surgisse uma candidatura independente de Marcelo Rebelo de Sousa,  em nome do «dever moral». E  a falta de apoio de Passos Coelho só pode ser visto como um facto positivo, porquanto o putativo candidato apoiado por Passos Coelho terá que carregar necessariamente o ónus dos quatro anos da sua governação com todos as falhas que lhe conhecemos.

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