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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 10.05.20

O caso Valentina

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Valentina, a menina de 9 anos que estava desaparecida desde quinta-feira de manhã em Peniche, foi encontrada morta este domingo de manhã, num descampado perto de um eucaliptal, em Óbidos.


O pai e madrasta foram detidos ainda durante esta manhã para averiguações. Ambos estão indiciados pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.


A Polícia Judiciária acredita que a morte da menina terá acontecido na habitação do pai, durante o dia de quarta-feira. As causas do homicídio ainda estão a ser apuradas.


Não há palavras para descrever o horror e a monstruosidade perante um crime destes. Esperemos que se apurem os factos, esperando que as autoridades forenses, policiais e judiciais possam fazer o seu trabalho e construir um processo sem incidentes nem falhas e finalmente se faça justiça. Porque um caso destes tem que ter um desfecho exemplar.


A tragédia que levou à morte da pequena Valentina às mãos do pai e da madrasta, deveria levar-nos a meditar sobre as circunstâncias em que é decidida a guarda partilhada de crianças.

 

Não é defensável o direito de as mães ficarem sempre com a guarda da criança, como também não é correta a imposição de partilha parental, sem atender à vontade dos menores. Muitos pais optam por essa via para evitar a pensão de alimentos.

 

Ora, se uma criança entra em negação e não quer estar junto de um dos progenitores,  não só é cruel obriga-la a estar num ambiente que lhe é hostil, como pode, em última instância, conduzir a situações como esta.

 

A pequena Valentina alegadamente não gostava de estar em casa do pai, já tinha fugido uma vez e pedia insistentemente para voltar para a mãe. Mas ninguém lhe deu ouvidos. O mais provável é terem achado que o pai tinha tanto direito à filha como a mãe. Deste modo, corre-se sempre o risco, como no caso patente, de haver um pai que, num ato de loucura, se enfureça ao ponto de estrangular a própria filha. 

 

Já que nada poderá trazer a menina de volta, pelo menos é importante tentar evitar este sofrimento a outras tantas Valentinas apanhadas inocentemente no meio de psicopatas, pessoas disfuncionais que no âmbito do seu mais profundo egoísmo não hesitam em matar os próprios filhos para resolver os seus problemas comezinhos.

 

Qualquer um pode gerar uma criança. Mas muitos não possuem, manifestamente condições emocionais e mentais para assumir essa responsabilidade.

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