Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 09.07.15

O debate sobre o Estado da Nação

narrativadiaria

economia.jpg

Ontem ocorreu o último debate parlamentar da atual legislatura no Parlamento. Se, por um lado, o Governo tem uma visão otimista do país e enfatiza o cumprimento dos principais objetivos, a oposição faz um retrato negativo do país. Ferro Rodrigues traçou um cenário negro da situação do país, apontando «sete pecados capitais» ao governo e Passos Coelho respondeu de imediato com outra imagem bíblica sobre as consequências da ação dos governos PS entre 2005 e 2011: «As dez pragas da herança socialista», mencionando as obras faraónicas (PPP e TGV) no setor rodoviário.

Por sua vez o vice primeiro-ministro referia que a atual maioria tem a «legitimidade da mudança», porque o maior partido da oposição não é o garante da mudança, mas apenas o «risco de um regresso a um passado que não é aconselhável revisitar» e citou Jorge Sampaio, salientando que «há mais vida para além do défice», sabendo ele que com a venda do Novo Banco pode disparar o défice para os 6%.

Com as baterias apontadas ao PS, ou não tivéssemos em campanha eleitoral, o governo e os partidos que o apoiam tentaram provar à exaustão de que Portugal estaria hoje como a Grécia, caso fosse o PS a governar o país.

Esta estratégia de usar o medo como ameaça é arriscada e já se revelou errada no caso do referendo grego. Por cá, em campanhas anteriores, também não deu resultados famosos. E agora é provável que também não funcione, até porque os portugueses ainda têm bem presente o que foram os últimos quatro anos de austeridade e tão depressa não se irão esquecer com certeza.

Isso mesmo é refletido na sondagem da Intercampus realizada para a TVI, Público e TSF que coloca o PS à frente das intenções de voto, atribuindo-lhe 37,6% de intenções de voto, contra 32,7% para a coligação PSD/CDS-PP.

A avaliação do estado do país é, nesta sondagem, negativa. Numa escala de 0 a 10, a média das respostas situa-se em 4,1, sendo que a categoria que maior número de respostas obtém é “muito mal” com 37,6%. Já na comparação do atual estado do país com o de há quatro anos a média desce para 3,4, numa escala igual. Sendo a resposta mais votada a de “pior” com 37,7 das respostas. E apenas 23,6% dos inquiridos respondem que está “melhor” ou “muito melhor”.

Para a maioria dos inquiridos António Costa, em comparação com Passos Coelho, revela mais qualidades para ser primeiro-ministro: é mais decidido, dialogante, tem mais capacidade de liderança, é mais trabalhador, apresenta um discurso de verdade e é socialmente sensível. Acresce, ainda que Costa tem outras caraterísticas apreciáveis para os inquiridos: confiança, competência, conhecimento dos problemas dos portugueses, seriedade, honestidade, simpatia.