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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 01.03.14

O Ministro da Troika

narrativadiaria
(imagem do google)

Vítor Gaspar foi nomeado diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a área dos assuntos orçamentais,como o Expresso havia dado conta aqui há tempos.

E agora, por ironia do destino, será o ex-ministro das Finanças, que saiu do Governo em julho passado em rota de colisão com Paulo Portas, que vai supervisionar a partir de agora, do lado do FMI, a implementação da reforma do Estado, da responsabilidade do próprio vice-primeiro-ministro. A reforma do Estado social será o pilar da consolidação orçamental e da redução da despesa ao longo deste ano e dos próximos.

O FMI e os restantes membros da troika farão a monitorização dos desenvolvimentos das políticas públicas em Portugal até que o empréstimo da troika fique saldado, algo que acontecerá em 2042 ou até mais tarde. Mas neste e no próximo, a proximidade de Gaspar ao Governo português será maior, já que o país vai sair do programa de intervenção e atravessar um ano de pós-troika em que continuará a ser totalmente acompanhado e aconselhado pelo FMI, pelo BCE e pela Comissão Europeia.

Na sua crónica semanal no Expresso, de 22 de Fevereiro, Nicolau Santos, com a independência de espírito e de opinião que se lhe confere, afirma: «(…)e é por isso que, como Maria João Avillez reconhece, Gaspar «fazia parte do 'clube', nunca deixou de o frequentar, guardou amigos. Em certa medida - ou em toda a medida? - era de 'lá'. Nós não sabíamos mas a Europa sabia. E não o iria perder de vista no Terreiro do Paço». A Europa mandou para cá alguém para garantir que seria aplicado sem hesitações e mesmo com entusiasmo o remédio que nos prescreveu. Foi isso que Gaspar fez. Porque é do 'clube'. Porque pensa como eles. E por isso o 'clube' vai agora ajudá-lo a arranjar um emprego, onde se ganhe bem e não se pague impostos, onde as reformas não sejam cortadas e onde nunca possamos dizer dele o que disse de nós: que vive acima das suas possibilidades».

Ainda Gaspar veio dizer que considera insultuosa a ideia de ser encarado como o quarto elemento da troika!