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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 29.03.15

O pós-jardinismo

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A Madeira vai hoje a votos para a presidência do Governo Regional, pela primeira vez sem Alberto João Jardim na corrida eleitoral.

A herança é pesada. Não obstante ter existido obra feita na Madeira, houve muitos «elefantes brancos»; foram criados muitos serviços supérfluos, desbaratou-se muito com construção de infraestruturas sem qualquer utilidade.

Agora, com uma dívida aproximada de 7,5 mil milhões de euros, um alto nível de desemprego e uma taxa de pobreza elevada, os eleitores vão decidir a quem pretendem entregar os destinos da região autónoma da Madeira.

Na corrida eleitoral, vão estar em disputa oito partidos e três coligações.

A lista do PSD madeira é encabeçada por Miguel Albuquerque que pretende conquistar a maioria absoluta, que nunca fugiu ao seu antecessor e as sondagens apontam nesse sentido, se bem que com números ao nível do pior resultado obtido por Alberto João Jardim (48,5% em 2011).

A maior mudança é a protagonizada pelo socialista Vítor Freitas, que junta o PS, o PAN, o MPT e o PTP de José Manuel Coelho. O desafio para a coligação que integra o maior partido da oposição é aproveitar a mudança de ciclo para se afirmar. O líder do PS, António Costa, foi à Madeira dizer que espera iniciar ali a derrota às políticas de Passos Coelho, mas a coligação nunca descolou dos 18% das intenções de voto.

Mas seja qual for o veredicto das urnas, é garantido desde já que vai haver uma mudança na região autónoma da Madeira e que a partir de amanhã iniciar-se-á um novo ciclo. De maior dependência, de maiores restrições, de maior privação, é certo. Mas nada será como dantes. O pós-jardinismo começa agora.