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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Sex | 27.07.18

O prédio de Robles

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A notícia do dia é que Ricardo Robles, vereador do Bloco de Esquerda, atualmente a exercer funções na Câmara Municipal de Lisboa, comprou em 2014 um lote de prédios da Segurança Social, localizado em Alfama, por 347 mil euros, juntamente com a irmã.

 

Em 2017 o edifício sofreu obras de reabilitação e posteriormente os dois irmãos decidiram colocar o prédio à venda, recorrendo para o efeito a uma imobiliária especializada em imóveis de luxo. O imóvel foi avaliado pela agência em 5,7 milhões. Caso o negócio se concretize por esses valores, a Ricardo Robles caberá uma mais-valia bruta (excluindo impostos) de 2 milhões de euros.

 

No prédio coabitavam cinco inquilinos. Um deles concordou estabelecer novo contrato de arrendamento, com uma renda superior e com a duração de oito anos. Três outros inquilinos que ali tinham lojas aceitaram sair por acordo mútuo.

 

Porém, entre pagamentos de indemnizações e contratos para celebração de novas rendas, ainda está a ser discutida em tribunal a situação de um dos inquilinos, um dono de um restaurante que recusou uma atualização de renda de 270 para 400 euros, e pede uma indemnização de 120 mil euros pelos melhoramentos realizados.

 

O vereador bloquista recusa a acusação de ter despejado inquilinos, e diz tê-los contactado para comunicar a intenção de manutenção dos respetivos contratos.

 

Questionado pelo Jornal Económico acerca da contradição que existirá entre o seu comportamento enquanto investidor e proprietário e as ações públicas contra os despejos que tem vindo a protagonizar, Robles insiste que não há qualquer contradição. «O programa eleitoral que apresentei à CML é claro na defesa do direito à habitação e de oposição aos despejos. O [único] casal que vive neste imóvel nunca viu o seu direito à habitação posto em causa. Pelo contrário, viu a sua situação regularizada com um novo contrato, cujo valor de renda, prazo e restantes termos acordou previamente. (…) A necessidade de realizar obras profundas de reabilitação do prédio, inclusivamente no interior das frações, implicou a libertação temporária dos espaços, que foi acordada com os inquilinos», explicou e diz que não se demite.

 

É certo que não está em causa qualquer ilegalidade, mas o facto é surpreendente porque o vereador do BE foi sempre um feroz crítico da especulação imobiliária em Lisboa, que tem levado a despejos forçados de moradores no centro da capital.

 

Ora um político tem que ser coerente com o que defende. E Ricardo Robles não foi. Fez é o contrário do que tem dito.

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