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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 05.09.14

O que se passa com a TAP?

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Desde o início do ano, a TAP, que opera com 67 aviões, registou 11 incidentes técnicos, o equivalente a 15% da sua frota. Se estes dados podem ser alarmantes, mais serão quando comparados com as estatísticas da British Airways, Lufthansa, Iberia ou EasyJest, companhias com maior frota mas que registam um número três vezes inferior de incidentes.

Os responsáveis da TAP vem desvalorizando estes números atribuindo-os a uma exagerada atenção mediática, uma vez que, segundo os próprios se trata de situações perfeitamente normais que acontecem todos os dias com companhias de aviação em todo o mundo.

A TAP sempre foi uma companhia de bandeira, surgindo no top 10 das mais seguras a nível internacional, continuando a ser aliás das poucas companhias aéreas que não regista acidentes há mais de 30 anos e que mantêm  grande rigor e qualidade na manutenção da sua frota.

O que se passou então? Terá a ver com uma frota reduzida e sobreutilizada ou antes a uma estratégia de desvalorização da companhia com vista à sua venda pelo melhor preço?

Acontece que, de há anos a esta parte, a TAP - a exemplo de outras companhias de bandeira - viu-se confrontada com crises de crescimento inerentes à própria industria de aviação. Tal facto obrigou-a a aumentar o número de rotas e a modernizar a sua frota, como forma de competir com  as companhias low-cost, cada vez mais utilizadas por diferentes segmentos da população. Porém, verificou-se um atraso na entrega de aviões, motivando uma sobrecarga da antiga frota, o que provocou anomalias e constrangimentos no tráfego habitual. Se a esta situação, acrescentarmos a crescente insatisfação do pessoal de bordo  e dos técnicos de manutenção que nos últimos anos têm trocado a transportadora nacional por outras companhias internacionais, bem mais atrativas em termos económicos, sem que a Administração tenha procedido à reposição daqueles ativos, bem como o processo de privatização que tem estado em cima da mesa há vários anos e que sempre gera alguma turbulência, poderá estar explicada parte da atual crise vivida na TAP.

Não se compreende, no entanto,  que uma empresa desta envergadura não tenha um plano B para acudir a situações deste tipo. Com esta atitude não só passa uma péssima imagem da empresa como afasta potenciais clientes.