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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 08.10.20

O segregacionismo de Joacine

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No twitter Joacine Katar Moreira escreveu que o «feminismo branco é intrinsecamente elitista e racista». Segundo a deputada independente «as mulheres (e homens) brancas também oprimem e apenas questionam partes do sistema do qual são parte importante. A parte que lhes toca». E sublinha que as «feministas brancas» nunca a representaram.

 

O que pretende com isto? Voltar ao tempo da segregação. Brancos para um lado negros para outro? Que Nelson Mandela tanto combateu? Dificilmente alguém conseguiria escrever algo mais racista. Penso que nem feministas brancas, nem de qualquer outra raça ou etnia se revêm neste discurso. Porque quando para além do género discriminamos por raça estamos a acentuar as desigualdades, a estabelecer barreiras quando as deveríamos derrubar. Para uma pessoa que diz que luta contra o racismo esta atitude é altamente racista e segregacionista.

 

Joacine Katar Moreira não só é patética como procura um protagonismo permanente,  vitimizando-se e dizendo um chorrilho de disparates que criam impacto na opinião pública.

 

Cada um tem o direito de dizer ou escrever o que lhe aprouver, até os dislates mais desapropriados, em nome da liberdade de expressão. O que não pode, nem deve é usar o estatuto de deputada para incitar o racismo e o ódio.

 

Muitas feministas brancas votaram certamente no Livre porque acreditavam que estavam a eleger alguém que as representava. Enganaram-se, afinal a deputada Katar Moreira não só não as representa, como é profundamente racista. Mal posso esperar pelas próximas eleições legislativas!