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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 20.07.14

Os dilemas do PSD

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 (imagem do google)

A maioria que sustenta o governo parece presa por arames. Quem o diz é Marques Mendes. Ontem, no seu habitual comentário semanal na SIC, Mendes apontou claros sinais de desentendimento dentro da coligação, dando como exemplos o relatório sobre a natalidade ou a conferência de imprensa da reforma do IRS, adjetivando o comportamento dos partidos da maioria de «ridículo, patético e sinal de criancice».

A conferência de imprensa sobre as alterações ao IRS foi «patética». Relativamente à natalidade - o PSD apresentou um estudo e o CDS veio dizer que já tinha um estudo anterior, parece um «concurso de beleza», é ridículo! No Conselho de Ministros há «governo e oposição», concluiu o Marques Mendes, dizendo que o CDS está «a brincar com o fogo», já que «sem coligação desaparece do mapa» e o mesmo se aplica aos sociais-democratas também deviam parar com as «provocações» porque sem o CDS será impossível vencer as eleições. «Convinha entenderem-se», afirmou o ex-líder do PSD.

Quanto às presidenciais, o social-democrata adianta que esse tema «vai ser a maior dor de cabeça para a coligação». Marques Mendes elenca os quatro candidatos prováveis às presidenciais:  Santana Lopes (o preferido do PSD e de Passos Coelho); Rui Rio (a escolha do CDS) Durão Barroso, o mais temido e Marcelo Rebelo de Sousa o mais popular nas sondagens e na opinião pública.

Aliás, se dúvidas existiam elas ontem ficaram claras, após a entrevista de Santana Lopes ao Expresso. A entrevista confirma o que muitos suspeitavam: Santana continua a «andar por aí», não perdendo o desejo que sempre acalentou: ser o candidato apoiado pela direita às presidenciais, sendo que a sua estratégia foi posta em causa com a possível candidatura de António Guterres, já que o antigo primeiro-ministro do PS poderá contar não apenas com apoios à esquerda, mas também de franjas da direita ligadas sobretudo a movimentos católicos.

De realçar, ainda, que o governo de Santana Lopes ainda está muito presente na memória dos portugueses como um dos piores, senão mesmo o pior da história democracia, e nem o lugar de Provedor da Santa Casa da Misericórdia, cargo que vem ocupando nos últimos anos ligado às questões socias, conseguiu apagar a má imagem que deixou, até porque doravante ela ser-nos-á reavivada pelos seus opositores, nomeadamente por Marcelo no seu comentário dominical.

A escolha não será nada fácil!